Vereadora de Encantado presta depoimento à Polícia Federal em investigação sobre contratos públicos no Vale do Taquari
A investigação conduzida pela Polícia Federal sobre possíveis irregularidades em licitações e contratos financiados com recursos federais no Vale do Taquari avançou na quarta-feira, 4 de março, com a realização de novos depoimentos. Entre os ouvidos está a vereadora de Encantado, Joanete Cardoso, que compareceu para prestar esclarecimentos e permanece afastada do cargo na Câmara Municipal.
De acordo com os investigadores, as informações apresentadas pela parlamentar contribuíram para esclarecer aspectos da apuração. Ainda assim, a corporação avalia a existência de possível conflito entre a atuação da vereadora em uma empresa privada e o exercício do mandato, hipótese que poderia indicar eventual benefício à companhia em contratos com o poder público.
A polícia também tomou o depoimento de outro investigado no mesmo dia, mas o nome não foi divulgado.
No início da semana, o ex-prefeito de Lajeado, Marcelo Caumo, também foi ouvido pelos agentes federais. Segundo a investigação, parte das respostas fornecidas durante a oitiva não esclareceu pontos considerados relevantes. Entre as dúvidas apontadas pelos investigadores estão a origem de R$ 411 mil encontrados em um cofre localizado em um escritório de advocacia, o pagamento de R$ 51 mil em espécie na compra de um veículo e o uso de aplicativos de comunicação com função de exclusão automática de mensagens.
Outros aspectos analisados envolvem valores recebidos por meio de uma empresa criada pouco antes do término do mandato de Caumo, bem como a capacidade financeira para a aquisição de um imóvel avaliado em cerca de R$ 4 milhões no litoral.
O delegado Marcone Silva, responsável pelo caso, informou que ainda não há decisão sobre eventual indiciamento do ex-prefeito. Conforme ele, a definição dependerá do avanço das diligências e da análise do material apreendido durante a operação.
Também são citadas na investigação a atual secretária de Serviços Urbanos de Lajeado, Elisete Mayer, e a empresária Lorena Mercalli, ligada à empresa Arki. Ambas foram convocadas para prestar depoimento, mas optaram por permanecer em silêncio durante as oitivas.
A Polícia Federal informou ainda que um novo investigado deve ser ouvido na sexta-feira, 6 de março. A identidade da pessoa não foi divulgada, enquanto a equipe segue examinando documentos e demais evidências reunidas no inquérito.
Operação investiga possível desvio de recursos federais
A apuração ocorre no âmbito da Operação Lamaçal, conduzida pela Polícia Federal com apoio da Controladoria-Geral da União. A segunda fase da ação foi deflagrada na semana passada e investiga suspeitas de irregularidades na aplicação de recursos federais destinados ao município de Lajeado após a enchente registrada em maio de 2024.
Segundo os investigadores, o volume de recursos sob suspeita chega a aproximadamente R$ 5 milhões, considerando três contratos firmados entre 2020 e 2024. Parte dos valores tem origem no Fundo Nacional de Assistência Social.
As diligências apontam para a possibilidade de direcionamento e sobrepreço na contratação emergencial de uma empresa para prestação de serviços na área social, sob justificativa de situação de calamidade pública. A primeira fase da operação havia sido realizada em novembro de 2025, quando foram recolhidos documentos e outros materiais para análise.
Foto: Polícia Federal / Reprodução

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