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Pesquisa aponta que qualidade das rodovias supera tarifa como principal preocupação no Bloco 2


Levantamento da Fetransul indica que maioria aceita pagar pedágio desde que haja retorno em segurança e redução do tempo de viagem

Um estudo divulgado na segunda-feira, 23, pela Federação das Empresas de Transporte de Cargas e Logística (Fetransul) indica que usuários das rodovias incluídas no chamado Bloco 2 priorizam melhorias estruturais em detrimento do valor da tarifa de pedágio. A pesquisa foi realizada entre 22 e 28 de janeiro de 2026 e ouviu 450 usuários em municípios das regiões Norte e Vale do Taquari, com foco nos trechos que irão a leilão no próximo mês.

Entre os caminhoneiros entrevistados no Bloco 2, 86,6% apontaram conservação, segurança e duplicação como aspectos mais relevantes. Apenas 13,4% desse grupo indicaram o preço da tarifa como principal preocupação. Considerando todos os usuários do Bloco 2, 43,2% identificaram as condições das estradas, como buracos e falta de manutenção, como o maior problema atual.

Quando questionados sobre os critérios para considerar a cobrança adequada, 84,4% afirmaram que o valor deve estar vinculado a melhorias perceptíveis, como redução no tempo de deslocamento e aumento da segurança viária. Ainda assim, 21,5% declararam defender o cancelamento integral do modelo de concessão. A maioria, porém, sustenta a necessidade de ajustes econômicos e definição clara de metas contratuais.

O presidente da Fetransul, Francisco Cardoso, afirmou que o setor de transporte tende a aceitar a cobrança quando há retorno operacional mensurável. Segundo ele, melhorias na fluidez e na segurança podem gerar ganhos logísticos, com impacto na eficiência e nos custos das empresas.

O levantamento foi aplicado presencialmente em postos de combustíveis de Passo Fundo, Marau, Lajeado e Encantado, no Bloco 2, e em Igrejinha e Parobé, no Bloco 1. Do total de entrevistados, 70% eram motoristas de automóveis e 30% condutores de caminhões, sendo que 56% das entrevistas ocorreram em trechos do Bloco 2.

Em relação ao modelo de cobrança, 70,9% dos usuários do Bloco 2 manifestaram preferência por tarifa proporcional ao trecho percorrido ou valores reduzidos para deslocamentos curtos. Para 48,4%, a faixa considerada adequada para custear a infraestrutura seria entre R$ 5 e R$ 12 a cada 100 quilômetros. Além disso, 66,3% afirmaram estar dispostos a contribuir financeiramente, desde que os recursos sejam revertidos em melhorias efetivas.

O leilão do Bloco 2 está previsto para 13 de março, na B3, com contrato de concessão válido por 30 anos. O projeto abrange 409 quilômetros de rodovias estaduais, incluindo trechos das ERS-128, ERS-129, ERS-130 e RSC-453, e prevê a instalação de 24 pórticos de pedágio no modelo free flow.

Paralelamente à divulgação da pesquisa, a Fetransul encaminhou ofício ao secretário de Comunicação do Estado, Caio Tomazelli, com questionamentos técnicos sobre os projetos de concessão dos Blocos 1 e 2. O documento solicita estimativas consolidadas sobre tempo médio de deslocamento antes e depois das intervenções, previsão de redução de acidentes envolvendo veículos de carga, impacto no consumo de óleo diesel, efeitos ambientais, especialmente na emissão de dióxido de carbono, e detalhamento dos Pontos de Parada e Descanso destinados a caminhoneiros.

A entidade argumenta que essas informações são essenciais para avaliar a efetividade das concessões e garantir o cumprimento da legislação relacionada ao descanso dos motoristas profissionais, além de contribuir para a segurança viária e a segurança jurídica das empresas.

Foto: Divulgação

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