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Brasil prepara início de testes clínicos de vacina contra dependência de cocaína e crack


Imunizante desenvolvido pela UFMG aguarda trâmites documentais para avançar à fase de estudos em humanos

O governo federal informou que devem começar em breve, no Brasil, os estudos clínicos em humanos de uma vacina voltada ao tratamento da dependência de cocaína e crack. O anúncio foi feito nesta semana pelo ministro da Educação, Camilo Santana, durante agenda pública no Espírito Santo. Segundo ele, o projeto, denominado Calixcoca, encontra-se na etapa de organização da documentação necessária para autorização dos ensaios clínicos.

O imunizante foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e já passou por experimentos pré-clínicos em laboratório. De acordo com a equipe responsável, os testes realizados em animais indicaram resposta imunológica capaz de produzir anticorpos que se ligam às moléculas da droga na corrente sanguínea, dificultando sua chegada ao cérebro. A proposta é que a vacina atue como suporte terapêutico para pessoas em processo de abstinência, auxiliando na prevenção de recaídas.

A coordenação científica do estudo está a cargo do pesquisador Frederico Duarte Garcia. Conforme divulgado pela universidade, a tecnologia foi registrada com patente no Brasil e no exterior, o que assegura proteção intelectual ao método desenvolvido.

Caso obtenha aprovação nas etapas regulatórias, a Calixcoca poderá se tornar o primeiro imunizante no mundo direcionado especificamente à redução dos efeitos da cocaína e do crack no organismo. A iniciativa integra um conjunto de pesquisas que buscam novas abordagens para o tratamento da dependência química, problema reconhecido como questão de saúde pública no país.

Em 2023, o projeto recebeu reconhecimento internacional ao vencer o Prêmio Euro Inovação de Saúde, promovido pela farmacêutica Eurofarma. A vacina foi contemplada na categoria “Destaque”, e a equipe responsável recebeu 500 mil euros como incentivo à continuidade das pesquisas.

O avanço para a fase de testes em humanos depende da conclusão dos trâmites regulatórios e da autorização dos órgãos competentes. Somente após essa etapa será possível avaliar a segurança e a eficácia do imunizante em voluntários, conforme os protocolos exigidos para o desenvolvimento de vacinas.

Foto: Divulgação

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