Escândalo das obras em Lajeado se amplia e avança para três frentes de investigação
As suspeitas de fraudes em contratos de obras públicas em Lajeado deixaram de ser apenas denúncias administrativas e passaram a mobilizar três esferas de apuração. Enquanto a Prefeitura abriu sindicância para revisar documentos e medições, a Câmara de Vereadores protocolou pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e o Ministério Público aprofunda diligências sobre o envolvimento da empresa PDS Obras Ltda., investigada por possíveis irregularidades entre 2024 e 2025.
O relatório preliminar divulgado na terça-feira, 30 de setembro, pelo Executivo confirmou a execução das 23 obras citadas, mas apontou divergências em metragem, materiais e padrões de qualidade. Diante disso, a administração determinou a suspensão de novos contratos com a empresa, a retenção de aproximadamente R$ 245 mil e a instauração de uma sindicância conduzida por servidores concursados, com prazo inicial de 30 dias.
Paralelamente, vereadores de oposição formalizaram o pedido de CPI com seis assinaturas, reunindo MDB, PT e Podemos. A comissão, caso instalada, deve ampliar a coleta de documentos e ouvir testemunhas sobre os contratos em questão.
Já o Ministério Público trabalha em outra frente. O promotor João Pedro Togni confirmou que a investigação aponta indícios de utilização de sócios de fachada na empresa investigada, levantando suspeitas de fraude societária. O inquérito também avalia se houve prejuízo aos cofres públicos e eventual enriquecimento ilícito.
O caso provocou ainda mudanças no secretariado. O então titular da pasta de Obras, Fabiano Bergmann (PP), pediu afastamento e reassumiu sua vaga na Câmara de Vereadores. A gestão municipal nomeou Elisete Alves da Silva Mayer como secretária interina até definição do novo responsável.
Foto: Ascom Prefeitura de Lajeado / Reprodução

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