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Dossiê expõe suspeita de fraudes milionárias em 23 obras públicas de Lajeado

Um dossiê revelado na Câmara de Vereadores de Lajeado escancarou possíveis irregularidades em 23 obras executadas no município entre 2024 e 2025. O levantamento aponta serviços pagos e não realizados, materiais fora das especificações contratuais, superfaturamento e medições incompatíveis com a execução. Os documentos indicam que os cofres públicos podem ter desembolsado mais de meio milhão de reais além do devido, apenas em contratos com uma empresa de Lajeado.

As intervenções sob suspeita envolvem diferentes bairros, como Jardim do Cedro, Conservas, Floresta, Olarias, São Cristóvão, Montanha e Alto do Parque, além da região central. Entre os casos mais expressivos, destacam-se:

  • Estacionamento na Av. Décio Martins Costa – Valor pago: R$ 527,8 mil. Valor correto: R$ 454,2 mil. Diferença: R$ 73,5 mil.

  • Telhado da Praça do Jardim do Cedro – Pago R$ 135,6 mil. Valor correto: R$ 56,5 mil. Diferença: R$ 79,1 mil.

  • Pintura da Ponte do Arroio Saraquá – Pago R$ 1.650,00. Valor correto: R$ 550,00. Diferença: R$ 1.100,00.

  • Pintura do Parque de Eventos – Pago R$ 121,5 mil. Obra não executada.

  • Pintura de meio-fio na Rua Henrique Eckardt – Pago R$ 8.616,00. Valor correto: R$ 256,64. Diferença: R$ 8,3 mil.

  • Muro de contenção na Rua Erny José Bruismann – Pago R$ 22 mil. Valor correto: R$ 12,8 mil. Diferença: R$ 9,2 mil.

  • Calçadas de concreto em diferentes ruas (Erny José Bruismann, Reinoldo Alberto Hexsel, Alcides Pacheco, Érico Weber, Bento Gonçalves, entre outras) – Irregularidades incluem falta de malha de ferro, espessura inferior do concreto e áreas não executadas. As diferenças variam de R$ 6 mil a R$ 20 mil por obra.

  • Rótulas nas avenidas Benjamin Constant e Carlos Fett Filho – Em uma delas, foram pagos R$ 18 mil, quando o valor correto era de R$ 4,4 mil, gerando prejuízo de R$ 13,5 mil.

  • Caixa de passagem na Rua Fábio Brito de Azambuja – Pago R$ 15,8 mil. Obra não realizada.

  • Pintura e telhado no Parque do Imigrante – Pago R$ 309,9 mil. Valor correto: R$ 21,3 mil. Diferença superior a R$ 170 mil.

  • Parque dos Dick (piso tátil e meio-fio) – Diferenças somam R$ 168,6 mil, além de obras inexistentes.

  • Calçadas na Rua Santos Filho – Pagos R$ 122,7 mil em serviços que não foram executados.

A administração municipal afirmou que instaurou investigação interna em 8 de setembro, após denúncias. Uma comissão revisa planilhas, projetos, notas fiscais e realiza inspeções in loco. “Caso sejam confirmadas as irregularidades, serão tomadas todas as medidas legais cabíveis”, informou a prefeitura.

O Ministério Público já acompanha o caso há mais tempo. O promotor João Pedro Togni confirmou que os elementos apresentados no Legislativo dialogam com a apuração em andamento, embora ainda não seja possível dimensionar a extensão dos prejuízos. O processo segue em sigilo.

Na Câmara, o caso gerou forte reação. O vereador Eder Spohr (MDB) estimou que o rombo possa chegar a R$ 1 milhão. Um grupo de parlamentares vistoriou algumas das obras e a Comissão de Obras e Serviços Públicos avalia abrir uma CPI. “A gravidade das informações exige uma resposta firme desta Casa”, afirmou o presidente da comissão, Neco Santos (PL).

Procurada, a empresa responsável não retornou aos contatos da reportagem. Enquanto isso, a apuração se desenrola em três frentes: prefeitura, Ministério Público e Legislativo, que pode instalar uma CPI para esclarecer um dos episódios mais polêmicos da recente gestão de Lajeado.

Foto: Vinicius Mallmann / Grupo Independente / Reprodução

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