Humorista Cris Pereira é condenado a mais de 18 anos de prisão por estupro de vulnerável
O humorista gaúcho Cris Pereira, conhecido nacionalmente pelo personagem Jorge da Borracharia, do programa A Praça é Nossa, foi condenado a 18 anos, quatro meses e 15 dias de prisão em regime fechado pelo crime de estupro de vulnerável. A decisão, em segunda instância, foi tomada na quinta-feira, 25, pela 7ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS). O caso, ocorrido em 2021, envolve uma criança de três anos e tramita sob segredo de Justiça, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
O julgamento reverteu a absolvição em primeira instância, que havia sido proferida na comarca de Estância Velha. Na ocasião, o juiz responsável concluiu que não havia provas suficientes para a condenação. No entanto, os desembargadores do TJ-RS consideraram novos elementos, incluindo análises clínicas e laudos apresentados durante a fase recursal, que foram determinantes para a mudança de entendimento.
A acusação, representada pelo advogado Rodrigo Severino, destacou que a corte levou em conta perícias técnicas e documentos médicos que reforçaram a denúncia inicial. Já a defesa de Cris Pereira, conduzida pelo advogado Edson Cunha, afirmou em nota que a decisão contrariou os laudos oficiais elaborados pelo Departamento Médico Legal (DML) e teria dado peso a documentos apresentados pela assistência de acusação “de forma unilateral, sem contraditório ou ampla defesa”.
Cunha reforçou ainda que o humorista havia sido absolvido inicialmente justamente pela inexistência de indícios materiais do crime e garantiu que medidas judiciais já estão sendo preparadas para recorrer às instâncias superiores. A defesa sustenta que o princípio da presunção de inocência segue válido até o trânsito em julgado e diz confiar na reversão da decisão.
Embora o teor completo do acórdão ainda não tenha sido publicado, o julgamento em segunda instância já impôs a pena privativa de liberdade. Com isso, a situação jurídica de Cris Pereira passa a depender da análise de recursos em tribunais superiores.
O caso, que envolve uma figura pública com grande visibilidade no humor brasileiro, ganhou repercussão nacional e reacendeu debates sobre a condução de processos relacionados a crimes sexuais contra crianças, especialmente no que diz respeito à avaliação de provas técnicas e à proteção da vítima.
Foto: Maiara Paganotto / Divulgação

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