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Gêmeas presas após bebê ser encontrado enterrado em Venâncio Aires são soltas por decisão judicial


Irmãs de 23 anos responderão ao processo em liberdade; Polícia Civil aguarda laudos para esclarecer as circunstâncias da morte e definir os próximos passos da investigação.

As duas irmãs gêmeas de 23 anos investigadas após a localização de um bebê enterrado em uma propriedade rural de Venâncio Aires foram autorizadas pela Justiça a responder ao processo em liberdade. Elas haviam sido encaminhadas ao Presídio Feminino Estadual de Lajeado na quinta-feira, 23, após serem presas em flagrante por ocultação de cadáver.

A decisão foi tomada antes da audiência de custódia, que estava prevista para a tarde desta sexta-feira, 24. A defesa acompanha a investigação e aguarda a conclusão dos exames periciais para avaliar as medidas que serão adotadas no processo.

O corpo do bebê foi localizado durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão em uma propriedade onde as irmãs viviam com os pais. A ação foi realizada pela Polícia Civil com apoio do Grupo de Busca e Salvamento do Corpo de Bombeiros Militar.

As buscas incluíram um açude situado em frente à residência. Enquanto mergulhadores atuavam no local, um cão de detecção percorreu a área da propriedade e indicou um ponto específico, onde os policiais encontraram o corpo enterrado.

Investigação começou após atendimento médico

A apuração teve início em 14 de julho, quando uma das jovens procurou o Hospital São Sebastião Mártir e relatou ter sofrido um aborto espontâneo. Na ocasião, afirmou que o corpo teria sido levado pela descarga do banheiro.

A equipe médica acionou a Polícia Civil após identificar divergências entre o relato apresentado, os exames realizados durante a gestação e a estimativa de que a gravidez estaria em estágio avançado, próximo de 37 semanas. Desde então, testemunhas e familiares foram ouvidos e outras diligências foram realizadas.

O delegado Guilherme Dill, responsável pelo inquérito, informou que o bebê tinha aproximadamente 48 centímetros e apresentava características compatíveis com uma gestação avançada. No entanto, ressaltou que ainda não é possível afirmar se a criança nasceu com vida ou determinar a causa da morte sem a conclusão dos exames técnicos.

A necropsia deverá ser decisiva para esclarecer a sequência dos fatos e as circunstâncias da morte. A partir dos resultados, a investigação poderá avançar na apuração de possíveis crimes contra a vida, entre eles aborto provocado, infanticídio ou homicídio.

Celulares foram apreendidos e serão submetidos à análise. A Polícia Civil também deve ouvir outras pessoas durante a investigação e aguarda os laudos periciais para reconstruir os acontecimentos e concluir o inquérito.

Foto: Alvaro Pegoraro / Folha do Mate / Divulgação

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