Recuperação da ferrovia entre Muçum e Guaporé pode exigir até R$ 100 milhões em investimentos
A recuperação integral da ferrovia entre Muçum e Guaporé, fortemente afetada pelas enchentes e deslizamentos provocados pela catástrofe climática de maio de 2024, pode demandar investimentos entre R$ 60 milhões e R$ 100 milhões. O trecho possui cerca de 46 quilômetros de extensão e é considerado estratégico para a mobilidade ferroviária e para projetos turísticos da região.
Atualmente, as obras estão concentradas na recuperação do segmento entre Muçum e Vespasiano Corrêa. Os trabalhos incluem limpeza da via férrea, reposição de estruturas e reinstalação de trilhos ao longo de aproximadamente 18 quilômetros, até a região do Viaduto 13. Cerca de 20 trabalhadores atuam na execução das intervenções.
A expectativa é de que essa etapa seja concluída até outubro. Com isso, parte da ferrovia poderá voltar a ser utilizada ainda no final deste ano, permitindo a retomada de operações turísticas no trecho já recuperado.
Viaduto 17 concentra principal desafio da reconstrução
Entre os pontos mais afetados da malha ferroviária está o Viaduto 17, localizado em Dois Lajeados. A estrutura sofreu danos significativos após deslizamentos de terra registrados durante as enchentes, que provocaram o deslocamento de dois de seus pilares.
A recuperação do viaduto é considerada a intervenção mais complexa e de maior custo dentro do projeto de reconstrução da ferrovia. Por isso, o avanço das obras depende diretamente da definição das fontes de financiamento e da aprovação dos projetos técnicos necessários.
Recursos podem vir de seguro, mas dependem de aprovação
Uma das alternativas estudadas para viabilizar a recuperação completa da ferrovia é a utilização de recursos oriundos de um seguro vinculado à concessão ferroviária. No entanto, a destinação desses valores ainda depende de procedimentos administrativos e de validação por órgãos federais.
A análise envolve a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e a Secretaria Nacional de Transporte Ferroviário, responsáveis por avaliar os encaminhamentos legais e técnicos relacionados à aplicação dos recursos.
Futuro da malha ferroviária segue indefinido
Apesar da existência de estudos e discussões sobre a restauração total do trecho entre Muçum e Guaporé, ainda não há definição sobre quando as obras poderão ser executadas em sua totalidade. Questões burocráticas, processos administrativos e decisões políticas continuam sendo fatores que podem influenciar diretamente o cronograma da reconstrução.
Enquanto isso, a recuperação parcial em andamento representa o primeiro passo para restabelecer uma infraestrutura ferroviária que possui relevância histórica, econômica e turística para diversos municípios da região.
Foto: Divulgação
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