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Novo medicamento para Alzheimer começa a ser disponibilizado no Brasil

 


Tratamento é indicado para pacientes em estágio inicial da doença e representa avanço na tentativa de retardar a perda cognitiva

Pacientes diagnosticados com Alzheimer em fase inicial passam a contar com uma nova opção terapêutica no Brasil. As farmacêuticas responsáveis pelo desenvolvimento do medicamento Leqembi (lecanemabe) anunciaram o início da oferta comercial do tratamento no país, após a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), concedida no fim do ano passado.

O medicamento integra uma nova geração de terapias voltadas ao combate da doença e atua diretamente sobre as placas de proteína amiloide acumuladas no cérebro, consideradas uma das principais características do Alzheimer. Embora não represente uma cura e nem seja capaz de interromper totalmente a progressão da enfermidade, estudos apontam que o tratamento pode retardar o avanço dos sintomas cognitivos.

A administração do Leqembi ocorre exclusivamente por meio de infusão intravenosa em hospitais ou centros especializados. As aplicações são realizadas a cada duas semanas e exigem acompanhamento médico constante. Por esse motivo, o medicamento não será comercializado em farmácias convencionais.

Tratamento tem indicação restrita

A terapia é destinada a pessoas que apresentam comprometimento cognitivo leve ou demência leve associada ao Alzheimer. Além do diagnóstico clínico, os pacientes precisam comprovar, por exames específicos, a presença de placas de proteína amiloide no cérebro.

Outro critério importante envolve a análise genética. Determinados pacientes com uma mutação associada ao aumento do risco da doença também apresentam maior probabilidade de desenvolver efeitos adversos graves durante o tratamento, o que exige avaliação individualizada antes da indicação.

Estudos apontam desaceleração da doença

Pesquisas clínicas realizadas ao longo de 18 meses mostraram que o uso do medicamento reduziu em cerca de 27% o ritmo de declínio cognitivo dos participantes quando comparado aos pacientes que não receberam a terapia. O resultado foi considerado um marco científico por demonstrar, pela primeira vez, a possibilidade de interferir diretamente na evolução da doença.

O Leqembi se junta a outro medicamento da mesma categoria já aprovado no país, ampliando as alternativas terapêuticas disponíveis para casos diagnosticados precocemente.

Custo elevado pode limitar acesso

Apesar do avanço representado pela nova tecnologia, o custo do tratamento ainda é um dos principais desafios para sua adoção em larga escala. O valor máximo autorizado para cada frasco ultrapassa R$ 4,2 mil, e a dosagem varia de acordo com o peso do paciente.

Na prática, o custo mensal pode superar R$ 8,5 mil para uma pessoa com mais de 50 quilos, sem considerar despesas adicionais relacionadas à aplicação, exames de monitoramento e acompanhamento médico especializado.

Necessidade de acompanhamento rigoroso

Especialistas alertam que o tratamento exige monitoramento constante devido ao risco de efeitos colaterais. Entre as reações observadas durante os estudos estão dores de cabeça, alterações relacionadas às infusões e sangramentos cerebrais. Em situações mais raras, também foram registrados casos de edema cerebral, condição que pode apresentar gravidade significativa.

Foto: Phamadoor / Eisai / Divulgação

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