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Ministério da Saúde suspende vacinação contra dengue do Butantan após registros de casos graves em investigação


Aplicação do imunizante é interrompida temporariamente enquanto autoridades ampliam análise de segurança

O Ministério da Saúde anunciou a suspensão temporária da vacinação contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan em todo o país. A medida foi adotada após a notificação de três casos graves ocorridos após a aplicação do imunizante, incluindo duas mortes que seguem sob investigação das autoridades sanitárias.

Segundo a pasta, a interrupção tem caráter preventivo e permanecerá em vigor até a conclusão de uma nova etapa de avaliação sobre a segurança da vacina. Até o momento, não há comprovação de que os episódios registrados tenham sido causados pelo imunizante.

Desde o início da campanha nacional, cerca de 500 mil pessoas receberam a vacina. Durante esse período, foram contabilizadas 3.703 notificações de eventos inesperados após a imunização, o que representa aproximadamente 0,7% dos vacinados. Entre esses registros, 42 apresentaram sintomas considerados de alerta, como dores abdominais intensas, vômitos persistentes e episódios de sangramento.

Dos casos monitorados, três evoluíram para quadros mais graves. Entre eles está o de uma mulher de 48 anos que apresentou sintomas compatíveis com dengue grave e alterações neurológicas cerca de 19 dias após receber a vacina. Ela não resistiu às complicações. Outro caso envolve um homem de 58 anos que desenvolveu um quadro severo da doença poucos dias após a imunização e também morreu. As circunstâncias de ambos os casos seguem sendo analisadas.

De acordo com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, os sistemas de vigilância epidemiológica dos estados e municípios não identificaram, até agora, elementos que permitam estabelecer uma relação direta entre a vacina e os desfechos registrados. Ainda assim, o governo optou por interromper a aplicação das doses até que a investigação seja concluída.

A decisão mobiliza órgãos federais, estaduais e municipais de saúde, além da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que participa da análise dos dados coletados. A retomada da vacinação dependerá do resultado dessa revisão técnica.

Durante o período de suspensão, o Ministério da Saúde orienta que pessoas imunizadas recentemente procurem atendimento médico caso apresentem sintomas persistentes ou reações consideradas incomuns, especialmente nas três semanas seguintes à aplicação.

Primeira vacina brasileira contra a dengue

O imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan representa um marco na saúde pública nacional. Trata-se da primeira vacina integralmente produzida no Brasil para prevenção da dengue e também da primeira aplicada em dose única. A estratégia de imunização teve início em 2026, com foco inicial em profissionais da área da saúde, antes de ser ampliada para outros grupos.

A suspensão temporária ocorre em um momento de atenção redobrada para o combate à dengue no país, que enfrenta sucessivos períodos de alta circulação do vírus e aumento da demanda por medidas de prevenção.

Foto: Instituto Butantan / Reprodução

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