Adolescente haitiano é encontrado ferido e sem agasalho em campo de futebol de Lajeado
Um adolescente haitiano de 17 anos foi localizado em situação de abandono e vulnerabilidade na tarde de terça-feira, 12, no bairro Campestre, em Lajeado. O jovem foi encontrado sozinho em um campo de futebol e o caso passou a mobilizar Brigada Militar, Polícia Civil e Ministério Público após dificuldades para garantir o acolhimento institucional do menor.
A ocorrência começou após moradores acionarem a Brigada Militar ao perceberem uma pessoa dormindo em um campo localizado na Rua Irena Thereza Schneider. No local, os policiais encontraram o adolescente com ferimentos aparentes, sinais de exposição ao frio e sem vestimentas adequadas.
Segundo o registro policial, o menor estava descalço, usando apenas um casaco parcialmente vestido, meias rasgadas e uma camiseta improvisada na cintura para cobrir parte do corpo. Diante das condições encontradas, ele foi encaminhado para atendimento médico na Unidade de Pronto Atendimento (UPA).
Durante o atendimento aos policiais, o adolescente relatou ter sido agredido pelo padrasto e expulso de casa. A mãe do jovem foi contatada por telefone, mas informou que não compareceria para buscá-lo. Conforme consta na ocorrência, ela afirmou que o filho teria apenas discutido com o companheiro e sofrido uma queda.
O caso ganhou maior complexidade após o Conselho Tutelar, segundo o boletim policial, não realizar o acolhimento imediato do adolescente. Ainda conforme o registro, a conselheira acionada teria informado que a situação não seria atribuição do órgão, mencionando também a proximidade da maioridade do jovem, que completa 18 anos em cerca de dois meses.
A Polícia Civil tentou encaminhar o adolescente para um abrigo, mas recebeu a informação de que o acolhimento só poderia ocorrer mediante autorização formal do Conselho Tutelar, justamente por ele ainda ser menor de idade.
Mesmo após novo contato feito pela delegacia, reforçando a necessidade de proteção ao adolescente, o acolhimento não foi autorizado naquele momento. Enquanto buscavam uma solução, policiais civis providenciaram roupas e alimentação ao jovem, que relatou estar sem comer desde a noite anterior.
O delegado plantonista Felipe Staub Cano informou que o caso seria comunicado ao Ministério Público para acompanhamento da situação e análise da conduta envolvendo o atendimento prestado. A ocorrência foi registrada como lesão corporal e seguirá sob investigação da Polícia Civil.
Conselho Tutelar nega omissão
Em nota oficial, o Conselho Tutelar de Lajeado contestou a versão de omissão no atendimento e afirmou que já acompanhava a situação da família desde a segunda-feira, 11. Segundo o órgão, a mãe do adolescente teria procurado a Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) anteriormente para relatar ameaças e episódios de agressividade praticados pelo filho após um desentendimento familiar relacionado ao uso de entorpecentes.
O conselho informou ainda que realizou diligências para buscar alternativas de acolhimento e acionou o CAPS Infantojuvenil para verificar o histórico de saúde mental do jovem. Conforme a nota, também foram feitos contatos com a mãe e análise da rede de apoio familiar, sendo constatado que a família não possui parentes no Brasil e que havia histórico de conflitos e episódios de agressividade dentro da residência.
Ainda conforme o esclarecimento, a medida adotada foi justamente o encaminhamento do adolescente para acolhimento institucional, visando garantir a integridade do jovem e dos demais familiares. O Conselho Tutelar também afirmou que as equipes já estavam mobilizadas para atendimento do caso antes mesmo de qualquer intervenção do Ministério Público.
Foto: Divulgação

Nenhum comentário