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El Niño deve retornar no segundo semestre e pode intensificar ondas de calor no Brasil


Boletim climático indica alta probabilidade do fenômeno e alerta para impactos no país

A National Oceanic and Atmospheric Administration confirmou, em boletim divulgado na terça-feira, 17, a expectativa de retorno do fenômeno El Niño ao longo do segundo semestre deste ano. A previsão indica, com alta probabilidade, a ocorrência de um evento de intensidade ao menos moderada, com reflexos no clima em diversas regiões do Brasil.

De acordo com a análise, há 62% de chance de o fenômeno se estabelecer entre junho e agosto, com tendência de persistência até o fim de 2026. Esse percentual aumenta gradualmente nos meses seguintes, chegando a 83% no último trimestre do ano.

Até lá, a tendência é de neutralidade climática, especialmente entre março e maio, período em que não há predominância de El Niño nem de La Niña. A partir do inverno, no entanto, o aquecimento das águas do Oceano Pacífico equatorial deve ganhar força e influenciar o regime climático global.

O El Niño ocorre quando há aumento de pelo menos 0,5°C na temperatura das águas do Pacífico, o que altera padrões de circulação atmosférica e impacta o clima em diferentes partes do mundo. No Brasil, os efeitos costumam incluir maior volume de chuvas no Sul e redução das precipitações no Norte e Nordeste, além de elevação significativa das temperaturas.

Segundo o meteorologista Marcelo Seluchi, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, ainda é cedo para projeções detalhadas sobre o comportamento das chuvas. No entanto, ele destaca que os extremos de temperatura devem ser o principal fator de atenção nos próximos meses.

A possibilidade de calor intenso em todo o território nacional preocupa especialistas, principalmente pelos impactos na saúde, na agricultura e no risco de incêndios, especialmente nas regiões Norte e Centro-Oeste durante o período seco.

Apesar das projeções, os especialistas ressaltam que os efeitos do fenômeno podem variar e não indicam, necessariamente, a repetição de eventos extremos registrados em anos anteriores, embora o monitoramento contínuo seja considerado essencial.

Foto: Tânia Rego /Agência Brasil

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