Brasil pode registrar 781 mil novos casos de câncer por ano até 2028, aponta Inca
Um levantamento divulgado pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca) indica que o Brasil deve registrar, em média, 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028. A projeção representa mais de 2,3 milhões de diagnósticos no período e evidencia o avanço da doença como um dos principais problemas de saúde pública no país.
De acordo com o estudo, o aumento na incidência está relacionado principalmente ao envelhecimento populacional, mas também a fatores como hábitos de vida, acesso desigual aos serviços de saúde e dificuldades no diagnóstico precoce. O cenário aproxima o câncer das doenças cardiovasculares entre as principais causas de adoecimento e morte no Brasil.
Entre os tipos mais frequentes, desconsiderando o câncer de pele não melanoma, destacam-se os tumores de mama e próstata, seguidos pelos cânceres de cólon e reto, pulmão e estômago. Juntos, eles concentram uma parcela significativa dos casos previstos para os próximos anos.
A análise por sexo aponta diferenças importantes. Entre os homens, o câncer de próstata lidera com ampla margem, seguido por tumores colorretais, pulmonares, gástricos e da cavidade oral. Já entre as mulheres, predominam os cânceres de mama, cólon e reto, colo do útero, pulmão e tireoide.
O câncer de pele não melanoma segue como o mais comum no país, representando cerca de 30% de todos os registros, embora apresente baixa taxa de mortalidade.
Outro ponto destacado pelo relatório é o potencial de prevenção de diversos tipos da doença. Casos como o câncer de colo do útero e o colorretal podem ser reduzidos com vacinação, exames de rastreamento e diagnóstico precoce. A imunização contra o HPV, por exemplo, é considerada fundamental para diminuir a incidência entre mulheres.
Além disso, especialistas alertam para a influência de fatores de risco evitáveis, como sedentarismo, obesidade, alimentação inadequada, consumo de álcool e tabagismo. O crescimento do uso de cigarros eletrônicos entre jovens também surge como preocupação adicional.
Desigualdades regionais
O levantamento também evidencia diferenças entre as regiões brasileiras. Enquanto Sul e Sudeste concentram maior incidência de tumores associados ao estilo de vida urbano, como mama, próstata e intestino, Norte e Nordeste apresentam maior ocorrência de cânceres relacionados a condições de vulnerabilidade, como o de colo do útero e o de estômago.
Essas disparidades refletem fatores como acesso à vacinação, saneamento básico, informação e estrutura de saúde, reforçando a necessidade de políticas públicas específicas para cada realidade.
Impacto e prevenção
Diante do cenário projetado, especialistas reforçam que medidas de prevenção continuam sendo a principal estratégia para reduzir o avanço da doença. Parar de fumar, manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física e realizar exames periódicos são atitudes que podem fazer diferença significativa na redução dos casos e na detecção precoce.
O relatório reforça que, apesar do crescimento nos números, o câncer pode ser enfrentado com políticas públicas eficazes e maior conscientização da população.
Foto: Reprodução

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