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Chuvas na Zona da Mata deixam mais de 30 mortos e 38 desaparecidos em Minas Gerais


Governo estadual confirma centenas de ocorrências e reforça operações de busca em Juiz de Fora e Ubá

O Governo de Minas Gerais informou, na tarde de terça-feira, 24, que as fortes chuvas que atingiram a Zona da Mata desde a madrugada de segunda-feira, 23, provocaram, até o momento, 37 mortes e deixaram 33 pessoas desaparecidas. Os dados foram apresentados durante coletiva de imprensa realizada em Juiz de Fora. Do total de óbitos, 30 ocorreram no município e sete em Ubá.

De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, ainda há registros de vítimas soterradas. Até o momento, foram contabilizadas 130 ocorrências relacionadas aos temporais, com 98 pessoas resgatadas com vida. Cerca de 500 profissionais participam da operação, incluindo aproximadamente 100 bombeiros militares e equipes especializadas com cães de busca.

O governador Romeu Zema afirmou que o volume de chuva registrado em poucas horas se aproximou da média de um mês inteiro, o que contribuiu para deslizamentos de grande proporção. Ele declarou que permanecerá na região até quarta-feira e, em seguida, seguirá para Ubá. As autoridades alertaram para a possibilidade de aumento no número de mortes em razão dos desaparecidos.

Em Juiz de Fora, o governo estadual contabiliza 200 desabrigados e 400 desalojados. Em Ubá, são 14 desabrigados e 46 desalojados. Desalojados são aqueles que deixaram suas residências, mas contam com abrigo em casas de familiares ou amigos. Já os desabrigados dependem de estruturas públicas disponibilizadas para acolhimento temporário.

O major Mardell da Silva informou que alertas emergenciais foram enviados para celulares da população, com orientação para evacuação imediata de áreas consideradas de risco geológico. A Defesa Civil mantém monitoramento contínuo dos pontos críticos.

O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais (CREA-MG) deslocou equipes técnicas para avaliar encostas e edificações comprometidas. A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) comunicou que 22 mil imóveis ficaram sem fornecimento de energia elétrica. Geradores estão sendo enviados de Belo Horizonte para auxiliar no restabelecimento do serviço.

O governador anunciou a liberação imediata de R$ 38 milhões para Juiz de Fora e R$ 8 milhões para Ubá, destinados a ações emergenciais. Segundo ele, o governo federal sinalizou apoio posterior para reconstrução de pontes, vias e outras estruturas públicas. Em Ubá, uma ponte foi destruída pela força da água.

Os temporais também atingem outras áreas do Sudeste. Na Baixada Fluminense, em São João de Meriti (RJ), alagamentos deixaram ao menos 600 pessoas desalojadas e uma morte foi registrada após o desabamento de um muro. O município decretou nível máximo de alerta. No litoral de São Paulo, milhares de famílias também foram impactadas.

Os episódios reacendem discussões sobre eventos climáticos extremos. Na Zona da Mata mineira, fevereiro registra volumes de chuva que superam o dobro da média histórica, com acumulados que ultrapassam 500 milímetros em algumas cidades. A previsão indica continuidade das precipitações, cenário que amplia o risco de novos deslizamentos em áreas de relevo acidentado.

No cenário internacional, a chegada antecipada do chamado El Niño Costeiro atinge regiões do Peru e do Equador. Diferentemente do El Niño clássico, o fenômeno costeiro tem impacto mais restrito geograficamente e, até o momento, não há previsão de efeitos diretos no Brasil.

Modelos climáticos indicam, no entanto, o possível retorno do El Niño clássico no segundo semestre. O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento mínimo de 0,5°C nas águas do Pacífico equatorial. Esse aquecimento altera padrões atmosféricos e pode modificar o regime de chuvas em diferentes regiões do país.

Segundo projeções citadas por especialistas, a probabilidade de configuração do fenômeno aumenta no trimestre entre junho e agosto, com possibilidade de início já em maio e intensificação gradual ao longo do segundo semestre. Ainda não há, contudo, indicativo consolidado de repetição de eventos extremos semelhantes aos observados em anos recentes.

Foto: Reprodução

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