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Vacina contra vírus respiratório para gestantes tem baixa adesão no RS, apesar de oferta pelo SUS

 

Imunização protege recém-nascidos contra bronquiolite e busca ampliar cobertura antes do aumento da circulação do vírus

Disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) desde dezembro, a vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR) destinada a gestantes a partir da 28ª semana de gravidez ainda registra adesão abaixo do esperado no Rio Grande do Sul. A imunização tem como principal objetivo reduzir casos graves de bronquiolite e outras infecções respiratórias em bebês nos primeiros meses de vida, período de maior vulnerabilidade.

De acordo com dados da Secretaria Estadual da Saúde (SES), cerca de 27 mil gestantes já receberam a dose no Estado, sendo 5,1 mil aplicações registradas em janeiro. A estimativa anual é vacinar aproximadamente 120 mil gestantes, com meta de atingir 80% de cobertura vacinal nesse público.

Para garantir a oferta, o Ministério da Saúde encaminhou 56 mil doses ao Rio Grande do Sul, que foram distribuídas aos municípios e estão disponíveis nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). A vacina integra o calendário de rotina da gestante e deve ser aplicada uma vez a cada gestação, com registro na caderneta.

O VSR é reconhecido como um dos principais agentes causadores de infecções respiratórias em crianças pequenas. Estimativas indicam que o vírus responde por cerca de 75% dos casos de bronquiolite e por 40% das pneumonias em menores de dois anos. Embora a circulação seja mais intensa nos meses frios, o patógeno está presente ao longo de todo o ano.

A estratégia de imunização durante a gestação visa proteger o bebê desde o nascimento. Ao receber a vacina, a gestante produz anticorpos que são transferidos ao feto ainda no período intrauterino. Estudos clínicos apontam redução de 81,8% das formas graves da doença nos primeiros 90 dias de vida e de 69,4% até os 180 dias, quando a vacina é aplicada entre a 24ª e a 36ª semana de gestação.

A bronquiolite não possui tratamento específico, sendo o cuidado baseado em medidas de suporte, como hidratação, higiene nasal e acompanhamento médico. Em situações mais graves, pode haver necessidade de internação, uso de oxigênio ou suporte respiratório, o que reforça a importância da prevenção.

O impacto do VSR no Estado tem sido significativo. Em 2025, foram registradas 3.616 hospitalizações por síndrome respiratória aguda grave (SRAG) associadas ao vírus, número superior ao observado em 2024 e 2023. No mesmo período, ocorreram 66 óbitos, com predominância entre idosos, embora também tenham sido contabilizadas mortes em crianças pequenas.

A expectativa das autoridades de saúde é ampliar a cobertura vacinal antes do outono, quando a circulação do vírus tende a aumentar. A vacina contra o VSR pode ser aplicada juntamente com outros imunizantes recomendados na gestação, como influenza, covid-19 e dTpa, sem necessidade de intervalo entre as doses.

Foto: Edu Kapps / SMS Rio / Reprodução

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