Diretório do PP aprova saída do governo do RS e coligação com o PL após reunião marcada por boicote interno
O diretório estadual do Progressistas (PP) definiu, na tarde de terça-feira, 20, em Porto Alegre, a saída da base do governo estadual e a formação de uma coligação com o Partido Liberal (PL) para a eleição de 2026. As deliberações ocorreram em uma reunião marcada pelo boicote de integrantes ligados ao deputado Ernani Polo, que questionam a legitimidade das decisões tomadas.
Conduzida pelo presidente estadual da sigla, Covatti Filho, a reunião contou com a participação de titulares e suplentes do diretório, o que ampliou o quórum para 120 votantes, apesar de 53 ausências. Na disputa interna, Covatti obteve 109 votos, contra oito destinados a Polo, além de um voto em branco e dois nulos.
Na definição das alianças, a maioria optou pela coligação com o PL, com 107 votos, enquanto a parceria com o MDB recebeu apenas dois apoios e a candidatura própria somou 10 votos. Já a decisão sobre a permanência ou não na base do governo resultou em 91 votos favoráveis ao rompimento, 25 contrários e quatro votos em branco.
Apesar da aprovação do nome de Covatti na disputa interna, o diretório rejeitou a candidatura própria ao Palácio Piratini, optando por uma aliança, o que evidenciou divergências no encaminhamento político do partido. A deputada Silvana Covatti passou a ser citada como possível indicação para compor a chapa como vice do deputado federal Luciano Zucco (PL).
Os dirigentes que não participaram da reunião afirmam que apenas uma pré-convenção teria legitimidade para definir candidaturas e alianças, motivo pelo qual não reconhecem o resultado. Ernani Polo informou que seguirá defendendo a candidatura própria do PP, mesmo após a votação, e mantém sua atuação política de forma independente das decisões do encontro.
Com a deliberação, a tendência é de saída dos indicados ligados à família Covatti do governo estadual, incluindo o secretário de Desenvolvimento Rural, Vilson Covatti. Já os quadros associados a Polo e a outros parlamentares da sigla devem permanecer na administração até que uma convenção formalize eventual rompimento.
O resultado foi recebido de forma positiva por lideranças do PL e do Novo. Em nota conjunta, os presidentes estaduais Giovani Cherini e Marcelo Slaviero destacaram a decisão como um sinal de construção de uma aliança de direita no Estado. Ambos reiteraram que PL e Novo já possuem acordo firmado e pré-candidaturas definidas, enquanto o PP projeta indicar o candidato a vice-governador e uma das vagas ao Senado na composição em negociação.
Foto: Alina Souza / Correio do Povo / Reprodução

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