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Debate em Porto Alegre discute futuro da Malha Sul antes do novo leilão ferroviário


Encontro promovido pela Fiergs reúne governo federal, estados do Sul e setor produtivo para tratar do modelo de concessão que substituirá contrato vigente a partir de 2027

O futuro da ferrovia nos três estados da Região Sul entra em pauta nesta terça-feira, 20, em Porto Alegre, durante o encontro “Modal Ferroviário – Concessão Malha Sul”, promovido pela Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs). A partir das 14h, representantes do governo federal, dos governos estaduais do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, além de lideranças empresariais, discutem os rumos da concessão que atualmente está sob responsabilidade da Rumo Logística e vence em 2027.

O debate ocorre em meio à preparação, pelo Ministério dos Transportes, do modelo preliminar de leilão da Malha Sul, cuja apresentação está prevista ainda para este mês. A proposta federal em análise prevê a divisão dos mais de 6 mil quilômetros de trilhos em três grandes corredores, formato que vem sendo questionado pelos governos estaduais da região.

O principal ponto de divergência está no desenho da nova concessão. Enquanto a União estuda o fracionamento da malha em corredores gaúcho, Mercosul e Paraná, os estados defendem alternativas como um modelo integrado ou a separação entre a gestão da infraestrutura ferroviária e a operação logística, permitindo a atuação de múltiplos operadores na mesma via.

No Rio Grande do Sul, o tema é analisado por um grupo técnico coordenado pelo vice-governador Gabriel Souza. O entendimento do governo estadual é de que o fatiamento pode concentrar investimentos privados nos trechos mais rentáveis, especialmente no Paraná, reduzindo a atratividade econômica do corredor gaúcho.

A proposta defendida pelo Executivo estadual prevê uma concessionária responsável pela via permanente, com operadores logísticos concorrendo pelo uso da ferrovia mediante pagamento. O Estado também prepara a contratação de uma consultoria técnica, por meio do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), para aprofundar estudos e apresentar alternativas durante a consulta pública federal.

Segundo o cronograma do Ministério dos Transportes, após a conclusão dos estudos da Infra S.A., será aberta a fase de audiências públicas. O leilão da nova concessão da Malha Sul está previsto para o segundo semestre de 2026. O governo federal admite a necessidade de aporte público para viabilizar a operação no trecho gaúcho, estimado entre R$ 1,5 bilhão e R$ 2 bilhões. No conjunto dos três estados, o plano prevê até R$ 12 bilhões em investimentos destinados à recomposição da malha, modernização da infraestrutura e aquisição de material rodante.

O diagnóstico apresentado até o momento aponta um cenário crítico no Rio Grande do Sul. Dos cerca de 3.823 quilômetros de trilhos existentes no Estado, apenas 921 quilômetros permanecem operacionais após as enchentes de 2023 e 2024. Outros 759 quilômetros seguem bloqueados, e o histórico de subinvestimentos comprometeu a competitividade do transporte ferroviário.

No Vale do Taquari, o debate tem impacto direto sobre projetos regionais. Em dezembro, o governo estadual confirmou avanços administrativos para a retomada do Trem dos Vales, com a recuperação inicial de 16 quilômetros entre Muçum e Vespasiano Corrêa, prevista para começar em 2026. O projeto turístico é tratado como experiência piloto de reativação ferroviária e depende da preservação da malha existente, severamente afetada pela tragédia climática de maio de 2024, que danificou mais de 700 quilômetros de trilhos e interrompeu a ligação ferroviária com Santa Catarina.

Para o presidente da Amturvales, Rafael Fontana, as definições em torno da nova concessão serão determinantes para o papel da ferrovia no futuro. Segundo ele, as decisões tomadas agora irão influenciar tanto a retomada do transporte de cargas quanto o desenvolvimento de iniciativas ligadas ao turismo regional.

Foto: Grupo Aventureiros TPS / Reprodução

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