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Curso de Medicina da Univates contesta resultado do Enamed divulgado pelo MEC


Instituição do Vale do Taquari recebeu conceito 2 na primeira edição do exame nacional e afirma que nota não condiz com avaliações oficiais recentes do curso

O Ministério da Educação (MEC) divulgou, na segunda-feira, 19, os resultados do primeiro Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), que analisou 20 cursos de Medicina em funcionamento no Rio Grande do Sul. O levantamento apontou que metade das graduações avaliadas no Estado obteve conceitos 4 ou 5, considerados de excelência. Entre as três instituições que receberam conceito 2, classificado como insatisfatório, está a Universidade do Vale do Taquari (Univates), com campus em Lajeado.

Além da Univates, também figuram nessa faixa a Atitus Educação, de Passo Fundo, e a Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), de Canoas. Conforme as regras estabelecidas pelo MEC, cursos enquadrados no conceito 2 ficam sujeitos à redução no número de vagas para ingresso de novos estudantes.

No caso da Univates, a instituição informou que recebeu o resultado com cautela e que a avaliação divulgada não corresponde aos indicadores oficiais que possui. Segundo a universidade, dados publicados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) em dezembro, bem como avaliações anteriores do MEC, apontam desempenho distinto. O curso de Medicina da Univates foi reconhecido como o melhor do interior do Rio Grande do Sul no Enade e, em abril de 2025, obteve conceito máximo (nota 5) em avaliação in loco realizada pelo próprio Ministério.

Diante do cenário, a universidade comunicou que protocolou pedido formal junto ao Inep solicitando esclarecimentos técnicos sobre o cálculo do resultado e eventual revisão da nota atribuída. A instituição reforça que mantém processos permanentes de qualificação acadêmica e segue as diretrizes estabelecidas pelo MEC para a formação médica.

As outras duas instituições com conceito 2 também se manifestaram. A Ulbra afirmou que, a partir da análise dos dados oficiais do MEC, identificou pontuação compatível com conceito mínimo 3, podendo ser superior, e informou ter solicitado esclarecimentos técnicos ao Ministério. Já a Atitus destacou que o Enamed é uma avaliação inédita no sistema e que o desempenho no exame, de forma isolada, não representa integralmente a qualidade do curso, citando histórico positivo em outras avaliações oficiais.

No panorama geral, o Rio Grande do Sul apresentou desempenho superior à média nacional. Enquanto 30,7% dos 351 cursos de Medicina avaliados no país ficaram nas faixas insatisfatórias, no Estado esse percentual foi de 15%. Já os conceitos de excelência (4 e 5) alcançaram 50% das instituições gaúchas, acima da média brasileira de 46,6%. Os únicos cursos com conceito 5 no RS foram a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), ambas sediadas na Capital.

A Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) também se posicionou sobre o exame, manifestando preocupação com a decisão do MEC de aplicar efeitos punitivos já na primeira edição do Enamed, especialmente no que se refere à redução de vagas e suspensão de ingressos.

Nota oficial da Univates (íntegra)

A Univates acompanha o resultado divulgado com zelo e cautela. Analisando o caso, a nota do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) não reflete os dados de que dispomos (insumos publicados pelo próprio Inep em dezembro) nem as excelentes avaliações que o curso tem recebido (no Enade, já foi reconhecido como o melhor curso de Medicina do interior do Rio Grande do Sul e, em abril de 2025, conquistou o conceito máximo - nota 5 - na avaliação in loco feita pelo Ministério da Educação). Por isso, a Instituição já abriu formalmente demanda junto ao Inep, buscando esclarecimentos sobre o cálculo e, se for o caso, a correção da nota.

A Univates adota medidas de aprimoramento contínuo nos processos de ensino e de aprendizagem e reafirma seu compromisso com a qualidade, a formação integral dos estudantes e o rigor no cumprimento das diretrizes estabelecidas pelo MEC.

Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

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