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Uma semana após Operação Lamaçal, Marcelo Caumo quebra silêncio e rebate pontos da investigação

 

Ex-prefeito afirma que valores citados foram interpretados de forma equivocada e diz que dinheiro apreendido é de origem familiar

Uma semana depois da deflagração da Operação Lamaçal, o ex-prefeito e ex-secretário estadual Marcelo Caumo voltou a se manifestar publicamente. Em entrevista ao programa Frente e Verso, da Rádio A Hora 102.9, nesta terça-feira, 18, ele falou pela primeira vez após depor à Polícia Federal e disse que só teve acesso integral ao material do processo no sábado. “Nem todas as peças estavam disponíveis por causa do segredo de Justiça. Isso atrasou minha resposta inicial, mas estou à disposição para qualquer esclarecimento”, afirmou.

Contrato emergencial e a cifra que ganhou repercussão nacional

O ponto mais sensível, segundo Caumo, é a menção a R$ 120 milhões, que se tornou destaque nas manchetes nacionais. Ele sustenta que o montante não corresponde ao contrato emergencial firmado durante a enchente de 2024, acordo que, segundo ele, teve proporção bem menor. O serviço incluía reforço no atendimento às famílias atingidas, com cadastros para benefícios, análises de aluguel social, laudos habitacionais e suporte psicológico e social. “A estimativa é que os valores executados não passem de R$ 1,2 milhão”, disse.

Suspeitas sobre preços e a relação entre empresas

Sobre a contratação da Plati e o questionamento de sobrepreço, Caumo afirmou que uma tomada de preços anterior não resultou em proposta viável. O contrato acabou firmado com base em novos orçamentos. Ele acrescentou que a PF analisou, simultaneamente, o contrato emergencial e um contrato de maior porte da empresa Arki, que presta serviços ao município há mais de dez anos. O cruzamento desses documentos, segundo Caumo, é o que teria levado ao valor global de R$ 120 milhões.

O ex-prefeito confirmou que atuou como advogado da Arki antes de assumir o Executivo, mas destacou que encerrou seu vínculo ao tomar posse, incluindo a entrega da OAB.

R$ 411 mil apreendidos: versão da defesa

Caumo também abordou a apreensão de R$ 411 mil em um cofre no escritório da família, fato que intensificou o debate público sobre o caso. Ele afirma que o dinheiro é particular e que a origem será comprovada pela contabilidade. Quanto à transferência de R$ 270 mil para sua conta, explicou que se trata de um empréstimo do pai para quitar parte do financiamento de sua residência.

A repercussão da abertura do cofre nas redes sociais também foi comentada. Caumo relatou que o equipamento havia sido dele, depois repassado ao pai, e que apenas os dois sabiam a senha. “No dia, meu pai não estava na cidade; meu irmão acompanhou a operação. Minha esposa tentou a senha e acabou acertando”, afirmou.

Reflexos políticos permanecem em aberto

Sobre 2026, Caumo afirmou que ainda não decidiu se manterá seus planos eleitorais após a operação.
“A repercussão é grande e ainda estou assimilando tudo. Peço que as pessoas não descartem essa possibilidade, mas é cedo para qualquer definição”, disse.

Foto: Reprodução

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