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Caumo depõe à PF e Operação Lamaçal avança com nova etapa de interrogatórios

Ex-prefeito de Lajeado fala por videoconferência; investigação mira contratos durante situações de calamidade e segue com análise de apreensões.

O ex-prefeito de Lajeado e ex-secretário estadual Marcelo Caumo prestou depoimento à Polícia Federal na manhã desta segunda-feira, 17, em meio ao avanço da Operação Lamaçal, que apura suspeitas de desvio de recursos federais em contratos firmados durante situações de calamidade pública. A oitiva, realizada por videoconferência e conduzida pelo delegado Marconi Silva, abriu a primeira rodada de interrogatórios da investigação.

Durante cerca de uma hora, Caumo respondeu à maior parte das perguntas feitas pela PF. Entre os temas abordados esteve o cofre localizado em um escritório de advocacia no Centro de Lajeado, onde agentes encontraram R$ 411,7 mil em espécie durante cumprimento de mandado na semana passada. O ex-prefeito foi sócio do escritório até 2017 e apresentou sua versão sobre o episódio, cujo teor não foi divulgado devido ao sigilo de Justiça que envolve o caso.

A agenda da PF prevê que, ao longo desta semana, diretores, sócios e empresários ligados às empresas Arki e Plati também serão ouvidos. A expectativa é concluir essa fase ainda neste mês. Em seguida, começa o trabalho mais extenso: a análise técnica do material apreendido, celulares, computadores, documentos e contratos, processo que, segundo o delegado Marconi, pode levar meses.

Defesa aguarda perícias

O advogado Jair Alves Pereira, que representa Caumo, afirmou que o ex-prefeito colaborou integralmente com a investigação. “Ele respondeu a todos os questionamentos da PF”, disse. “Agora, precisamos aguardar a conclusão das perícias de celulares e demais apreensões. Antes disso, não há como pedir a exclusão do Marcelo do inquérito”, disse.

Sobre a suposta apresentação de uma lista de contratos da Arki e da Plati à PF durante as diligências, o advogado declarou não ter sido informado. “Essa é uma questão que só o delegado pode esclarecer. A suspeita é contábil. Não temos como afirmar mais do que isso", releva.

A defesa reforça que Caumo ainda não teve acesso completo aos documentos da investigação e aguarda que todas as peças sejam anexadas ao processo para análise.

O que investiga a Operação Lamaçal

A PF apura possíveis irregularidades em contratações emergenciais realizadas após enchentes, com foco na empresa Plati, contratada por dispensa de licitação para serviços de assistência social, e em um contrato anterior com a Arki, firmado em 2020. Os investigadores apontam suspeitas de vínculos entre sócios e possíveis sobrepreços.

Na terça-feira passada, a PF cumpriu 35 mandados de busca e apreensão em nove cidades do Estado, recolhendo documentos, aparelhos eletrônicos e registros contábeis. Em entrevista recente, Caumo classificou a operação como “injusta” e nega qualquer irregularidade nos contratos.

Foto: Reprodução

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