Ato em Brasília reacende pressão bolsonarista por anistia a condenados de 8 de Janeiro
Um grupo de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro realizou, na noite de terça-feira, 7 de outubro, uma caminhada na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, para defender a anistia dos condenados pelos ataques de 8 de Janeiro de 2023. A mobilização ocorreu no momento em que a Câmara dos Deputados discute um projeto que propõe a redução de penas, alternativa rejeitada pelos manifestantes.
O ato começou por volta das 17h, com saída da Biblioteca Nacional, e seguiu até o Congresso Nacional, encerrando-se cerca de uma hora e meia depois. Entre os presentes estavam a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o pastor Silas Malafaia, o senador Flávio Bolsonaro, o presidente do PL Valdemar Costa Neto e Renato Bolsonaro, irmão do ex-presidente. Bandeiras do Brasil, de Israel e dos Estados Unidos foram exibidas pelos participantes, que entoaram palavras de ordem pedindo “anistia ampla, geral e irrestrita”.
Durante o evento, Michelle Bolsonaro afirmou que o perdão total aos condenados seria uma forma de “pacificar a nação” e criticou a proposta de dosimetria de penas que tramita no Congresso. “A anistia é constitucional e foi defendida por líderes de vários partidos no passado. Reduzir penas não apaga a dor das famílias que sofrem”, disse. A ex-primeira-dama também voltou a defender o marido, alegando que Bolsonaro “não cometeu crime” e que “o sistema persegue um homem de bem”.
A mobilização foi convocada por Malafaia após os protestos organizados pela esquerda em setembro, que reuniram artistas e movimentos sociais em 33 cidades do país contra a anistia e a favor da responsabilização pelos ataques. O pastor afirmou que a caminhada buscou dar “resposta” a esses atos e demonstrar apoio a Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar desde sua condenação pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
O episódio de 8 de janeiro de 2023, quando sedes dos Três Poderes foram invadidas e depredadas em Brasília, resultou em mais de 1.200 condenações no STF ou acordos com o Ministério Público. Segundo balanço da Corte, 29 pessoas permanecem presas preventivamente e 112 cumprem pena definitiva.
Embora o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), tenha sinalizado disposição para discutir o tema, o texto em tramitação, relatado por Paulinho da Força (Solidariedade-SP), trata apenas da redução das penas, não da anistia completa. Nos bastidores, líderes governistas e da oposição avaliam que a proposta de perdão integral enfrenta forte resistência e dificilmente avançará sem pressão popular.
Foto: Joédson Alves / Agência Brasil

Nenhum comentário