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Nota técnica sobre o Rio Taquari gera questionamentos após apontar que assoreamento não agravou enchente de 2024

Na sexta-feira, 4 de julho, pesquisadores do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (IPH-UFRGS), do Serviço Geológico do Brasil (SGB) e da Universidade do Vale do Taquari (Univates) divulgaram uma nota técnica sobre as alterações ocorridas no leito do Rio Taquari após a enchente de 2024 e suas possíveis implicações para os alagamentos que atingiram a região.


O estudo teve como foco o trecho compreendido entre a ponte da BR-386, que liga Estrela a Lajeado, e a barragem de Bom Retiro do Sul. A análise utilizou levantamentos batimétricos realizados pelo DNIT antes e depois da cheia, além de dados históricos obtidos em 2016. A partir de modelagens hidrodinâmicas e comparações topográficas, os pesquisadores afirmaram que não há evidências de que o assoreamento tenha causado ou intensificado a enchente de 2024 nesse segmento específico do rio.

Segundo a nota, a cheia provocou alterações importantes na morfologia do leito, com variações de profundidade superiores a cinco metros em alguns pontos. Em média, o leito do rio ficou 17 centímetros mais elevado após o evento, indicando um processo de deposição de sedimentos considerado natural em trechos fluviais situados acima de barragens.

Apesar das conclusões técnicas, com base em dados entre Estrela e Lajeado, o documento gerou críticas nas redes sociais. Moradores de municípios da parte alta do Vale do Taquari, como Muçum, colocaram em dúvida os métodos empregados na pesquisa e pediram mais transparência sobre os dados apresentados. Muitos questionaram o número médio de 17 centímetros de elevação, solicitando provas mais detalhadas e a ampliação da análise para outras áreas afetadas pelas enchentes.

O estudo faz parte de uma série de levantamentos científicos que estão sendo conduzidos para embasar políticas públicas de reconstrução, prevenção e gestão de riscos na região, fortemente atingida por eventos climáticos extremos em 2023 e 2024.

Foto: Bruno Zilio / Reprodução

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