STF retira sigilo de investigações do caso Banco Master antes de julgamento sobre Moraes
Decisão de André Mendonça libera acesso a 14 procedimentos; documentos da PF apontam que Daniel Vorcaro teria obtido informações sobre a operação antes de ser preso
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou na noite de quinta-feira, 10, a retirada do sigilo de 14 procedimentos relacionados à investigação do chamado caso Master. A medida foi tomada após solicitação do presidente da Corte, Edson Fachin, e os documentos começaram a ser publicados no portal do Supremo durante a madrugada.
A decisão alcança processos vinculados à Petição 15.556, que reúne investigações envolvendo o Banco Master e diferentes agentes públicos. Permanecem protegidos apenas os elementos cuja divulgação possa comprometer diligências ainda em andamento ou que dependam de confidencialidade para serem executadas.
Com a abertura dos autos, vieram a público informações reunidas pela Polícia Federal sobre a atuação do ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, antes da Operação Compliance Zero. Segundo os investigadores, havia indícios de que o empresário teve acesso antecipado a informações que deveriam permanecer sob sigilo judicial.
Entre os elementos citados pela PF estão registros encontrados no celular de Vorcaro. Anotações continham nomes de policiais federais que haviam participado de uma reunião com representantes do Banco Central. Em outro registro, feito dois dias antes da prisão, o empresário teria buscado informações sobre a relação de uma terceira pessoa com o juiz federal Ricardo Soares Leite, responsável por autorizar medidas contra ele.
A investigação também aponta movimentações que, na avaliação dos policiais, podem indicar uma tentativa de deixar o país antes da operação. Na manhã de 16 de novembro de 2025, um advogado de Vorcaro, Walfrido Warde, enviou mensagens ao empresário. Pouco depois, Vorcaro respondeu que providenciaria uma viagem com saída de Congonhas.
Naquela mesma noite, a Polícia Federal abordou o empresário no Aeroporto Internacional de Guarulhos. Ele estava prestes a embarcar em um avião particular com destino aos Emirados Árabes Unidos. Para a PF, a viagem realizada na véspera da operação reforça a hipótese de que Vorcaro tinha conhecimento prévio da ação policial.
Apesar dos indícios reunidos, os documentos divulgados não apontam quem teria fornecido as informações ao empresário nem estabelecem que ele soubesse exatamente o horário em que os mandados seriam cumpridos. A investigação busca esclarecer a origem dos dados aos quais ele teria tido acesso.
Julgamento sobre Alexandre de Moraes
A divulgação dos autos ocorre poucos dias antes de uma sessão extraordinária convocada por Fachin para terça-feira, 15. Na ocasião, nove ministros do STF deverão analisar o pedido de Mendonça relacionado à abertura de investigação sobre o ministro Alexandre de Moraes e possíveis vínculos dele com Daniel Vorcaro.
O caso ganhou relevância após documentos e informações produzidos pela PF mencionarem contatos entre o empresário e pessoas ligadas ao ministro. A apuração sobre eventual irregularidade deverá ser examinada pelo próprio Supremo, dentro dos limites definidos para o julgamento.
Medidas adotadas por Fachin
A retirada do sigilo integra um conjunto de providências adotadas por Fachin em meio às divergências internas envolvendo o caso. O presidente do STF também suspendeu decisões de Mendonça e Flávio Dino relacionadas ao afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Outra medida foi a retirada de Moraes da relatoria do Inquérito das Fake News. Fachin avaliou que a finalidade original do procedimento já teria sido superada e que o processo deveria caminhar para o encerramento.
O presidente da Corte também interrompeu uma apuração da Procuradoria-Geral da República (PGR) que buscava verificar possível interferência na elaboração de um relatório da PF envolvendo conversas de Vorcaro com Moraes.
A abertura dos documentos amplia a transparência sobre uma investigação que envolve instituições centrais do sistema de Justiça e do sistema financeiro. Ao mesmo tempo, parte dos autos continua protegida para preservar medidas policiais que ainda não foram concluídas.
Foto: Valter Campanato / Agência Brasil

Nenhum comentário