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Vale do Taquari receberá R$ 5,9 milhões para Defesa Civil, mas população ainda aguarda respostas sobre aplicação dos recursos

 


Repasse estadual promete fortalecer prevenção a desastres, porém municípios ainda não detalharam quais ações serão executadas

O Governo do Rio Grande do Sul anunciou o repasse de R$ 5,9 milhões para municípios do Vale do Taquari com o objetivo de reforçar ações de prevenção, mitigação e preparação para eventos climáticos extremos. Apesar da confirmação dos recursos, ainda não foram divulgados pelos municípios os projetos específicos que serão executados, o que gera dúvidas sobre como o investimento será aplicado e quais benefícios efetivamente chegarão à população.

O valor faz parte de um pacote de R$ 32,3 milhões destinado a 138 municípios gaúchos por meio do Fundo Estadual de Proteção e Defesa Civil (Fundec/RS). A transferência será realizada diretamente aos Fundos Municipais de Proteção e Defesa Civil (Fumdecs), no modelo conhecido como "fundo a fundo", que dispensa convênios e busca acelerar a liberação dos recursos.

No Vale do Taquari, 19 municípios receberão R$ 200 mil cada: Bom Retiro do Sul, Canudos do Vale, Capitão, Colinas, Coqueiro Baixo, Cruzeiro do Sul, Dois Lajeados, Doutor Ricardo, Forquetinha, Imigrante, Marques de Souza, Muçum, Pouso Novo, Putinga, Relvado, Roca Sales, Santa Tereza, Travesseiro e Vespasiano Corrêa. Arroio do Meio, Encantado, Estrela, Guaporé, Taquari e Teutônia receberão R$ 250 mil, enquanto Lajeado e Venâncio Aires terão direito a R$ 300 mil.

Segundo o Estado, o dinheiro deverá ser empregado em iniciativas voltadas à redução dos riscos provocados por enchentes, enxurradas e deslizamentos, além de fortalecer a capacidade de resposta das Defesas Civis municipais. Entretanto, até o momento, não foram apresentados planos detalhando quais equipamentos serão adquiridos, quais obras serão executadas ou quais projetos sairão do papel.

A falta de informações alimenta um questionamento recorrente entre moradores da região, que conviveu com duas das maiores tragédias climáticas da história recente em 2023 e 2024. Afinal, os recursos serão utilizados para a compra de barcos, caminhonetes, sistemas de monitoramento, sirenes, rádios de comunicação, equipamentos de resgate e capacitação das equipes? Ou serão destinados, novamente, à elaboração de estudos e planejamentos que pouco alteram a realidade enfrentada pelas comunidades em áreas de risco?

A expectativa da população é que os investimentos resultem em medidas concretas e perceptíveis. Com previsões indicando a possibilidade de novos eventos climáticos extremos nos próximos meses, cresce a cobrança para que as administrações municipais apresentem transparência sobre a aplicação dos recursos e estabeleçam cronogramas para execução das ações.

Para receber o repasse, os municípios precisaram cumprir uma série de requisitos técnicos, entre eles possuir decretos homologados de calamidade pública referentes aos eventos de 2023 e/ou 2024, contar com áreas de risco mapeadas pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB), integrar a relação de cidades prioritárias devido à recorrência de inundações e manter atualizado o Plano Municipal de Contingência.

Embora o modelo de transferência tenha como principal objetivo acelerar a execução das medidas de prevenção, a efetividade do investimento dependerá da rapidez com que os municípios transformarão os recursos em ações concretas. Mais do que anunciar valores, a população espera saber como esse dinheiro será aplicado e quando as melhorias prometidas poderão ser percebidas na prática.

Foto: Defesa Civil / Divulgação

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