Após prever que o Taquari não teria cheia, Leite admite falhas no sistema de monitoramento em visita a Lajeado
O governador Eduardo Leite esteve em Lajeado nesta sexta-feira, 24, para discutir a atuação do Estado durante a última cheia do Rio Taquari, marcada por mudanças sucessivas nas projeções e críticas à demora na atualização das informações. A visita ocorreu depois de o governo ter divulgado uma previsão inicial de que o rio não alcançaria a cota de inundação, afirmação que chegou a ser publicada em vídeo e posteriormente retirada das redes sociais, antes de o cenário se modificar rapidamente.
Durante a reunião com representantes do município e a coletiva realizada posteriormente, Leite reconheceu que os sistemas de monitoramento e comunicação dos alertas precisam ser aprimorados. Segundo o governador, os dados utilizados inicialmente pelos modelos indicavam um risco menor, mas novas informações alteraram a projeção ao longo da evolução do evento.
O próprio governador admitiu que houve uma diferença entre os dados utilizados pelos modelos e o comportamento efetivamente observado nas condições meteorológicas e hidrológicas. A justificativa, entretanto, não elimina o problema central enfrentado pelos municípios: em poucas horas, uma situação inicialmente tratada como sem risco de inundação passou a exigir medidas de preparação e retirada de moradores de áreas atingidas.
Leite defendeu que as atualizações sejam mais frequentes e que a comunicação deixe claro que as previsões podem sofrer alterações. A necessidade de mudanças ocorre após críticas de moradores e autoridades locais, que questionaram a confiabilidade das informações divulgadas justamente durante um período em que o nível do Rio Taquari subia rapidamente.
O governo estadual informou que trabalha na instalação de novas estações de monitoramento hidrometeorológico e no desenvolvimento de estudos de modelagem. Também pretende cobrar atualizações mais frequentes dos dados utilizados pelos órgãos responsáveis pelas projeções.
Vídeo retirado após mudança no cenário
A controvérsia ganhou força porque, antes da confirmação da cheia, o governo havia divulgado uma mensagem indicando que o Rio Taquari não deveria atingir níveis de inundação. Com a mudança das projeções e a elevação do rio, o vídeo acabou sendo retirado.
A sequência expôs a dificuldade, e a responsabilidade, de comunicar previsões em uma região que convive com o trauma de sucessivas enchentes desde 2023. Para os municípios do Vale, a questão não envolve apenas a possibilidade de um erro técnico, mas o tempo disponível para preparar abrigos, retirar famílias e proteger bens.
O governador também afirmou que o Estado continuará acompanhando as previsões para os próximos dias, diante da possibilidade de novas chuvas. Ele destacou ainda que parte das cidades do Vale possui áreas historicamente vulneráveis às cheias e defendeu, além de obras e medidas de prevenção, a retirada de moradores de locais considerados de risco.
A visita ocorreu enquanto o Rio Grande do Sul ainda enfrentava os efeitos da última inundação e permanecia sob atenção para novos volumes de chuva.
Foto: Divulgação

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