Anvisa aprova nova estratégia de tratamento para câncer de próstata no Brasil
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou uma nova indicação de uso da darolutamida no tratamento do câncer de próstata, ampliando as opções terapêuticas para pacientes com a doença. A aprovação permite que o medicamento seja utilizado em combinação com a terapia de privação androgênica (ADT), estratégia que reduz os níveis de testosterona para conter o avanço do tumor.
A decisão representa um novo passo no tratamento de um dos tipos de câncer mais frequentes entre os homens brasileiros. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o país deve registrar cerca de 77,9 mil novos casos por ano entre 2026 e 2028, além de aproximadamente 17,8 mil mortes anuais relacionadas à doença.
A aprovação da Anvisa foi baseada nos resultados do estudo internacional de fase 3 ARANOTE, que apontou redução de 46% no risco de progressão da doença ou de morte entre pacientes tratados com darolutamida associada à terapia hormonal. Em pessoas com menor disseminação do câncer pelo organismo, a redução do risco chegou a 70%, enquanto, nos casos de maior volume metastático, o índice foi de 40%.
Até então, a darolutamida já era autorizada no Brasil para pacientes com câncer de próstata hormônio sensível metastático em associação à quimioterapia. Com a nova indicação, o medicamento passa a integrar outra estratégia terapêutica, oferecendo uma alternativa para controlar a evolução da doença.
Além dos resultados relacionados à sobrevida, os estudos também apontaram benefícios na qualidade de vida dos pacientes. A combinação do medicamento com a terapia hormonal prolongou o tempo até o agravamento da dor e apresentou baixa incidência de fadiga, um dos efeitos adversos que mais comprometem a rotina de quem enfrenta o tratamento.
Outra pesquisa comparativa indicou que pacientes em uso da darolutamida apresentaram melhor preservação da função cognitiva em relação a pessoas tratadas com enzalutamida, outro medicamento utilizado contra o câncer de próstata. O dado é considerado relevante, já que a maioria dos diagnósticos ocorre em homens acima dos 65 anos, faixa etária em que também aumenta o risco de doenças neurodegenerativas.
De acordo com especialistas, a ampliação das opções terapêuticas pode contribuir para um tratamento mais individualizado, buscando controlar a doença por mais tempo e preservar a autonomia e a qualidade de vida dos pacientes.
O câncer de próstata é o segundo tipo de câncer mais comum entre os homens. Além do envelhecimento, fatores como histórico familiar, obesidade e tabagismo estão entre os principais fatores de risco. Médicos reforçam que o diagnóstico precoce continua sendo um dos principais aliados para aumentar as chances de sucesso no tratamento.
Foto: Divulgação
Reviewed by Acontece no Vale
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julho 10, 2026
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