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Polícia Federal mira suposto esquema fraudulento em banco ligado a Edir Macedo

 

Operação cumpre mandados em São Paulo e apura manipulação contábil para ocultar situação financeira da instituição

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira, 23, a Operação Miragem, que investiga um suposto esquema de fraudes envolvendo o banco Digimais, instituição financeira ligada ao empresário e líder religioso Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus. A ação ocorre em São Paulo e tem como objetivo aprofundar a apuração sobre possíveis irregularidades na administração do banco.

Ao todo, foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão autorizados pela Justiça Federal. Além das diligências, a decisão judicial determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados e autorizou o bloqueio e sequestro de bens e valores que podem chegar a R$ 670,3 milhões.

As investigações tiveram como base relatórios produzidos pelo Banco Central, que apontaram indícios de inconsistências na condução das operações da instituição financeira. Segundo a apuração, administradores do banco teriam utilizado mecanismos contábeis para apresentar uma situação financeira diferente da realidade.

Entre os fatos investigados está a suposta exclusão de carteiras de financiamento com elevados índices de inadimplência das demonstrações financeiras da instituição. De acordo com os órgãos responsáveis pela investigação, os valores envolvidos alcançariam centenas de milhões de reais.

Outro ponto sob análise é uma negociação envolvendo precatórios transferidos para uma holding ligada ao grupo controlador do banco. A operação teria despertado preocupação entre auditores e órgãos de fiscalização, contribuindo para o aprofundamento das investigações.

Banco atua principalmente no financiamento de veículos

Embora tenha pouca visibilidade junto ao público em geral, o Digimais atua há anos no mercado financeiro. Até 2020, a instituição era conhecida como Banco Renner, nome herdado da família fundadora das Lojas Renner. Edir Macedo já integrava o quadro societário desde 2009 e assumiu o controle do banco naquele mesmo ano, quando a instituição passou a adotar a marca atual.

O principal segmento de atuação do Digimais é o financiamento de veículos. Segundo informações do mercado, a instituição concentra operações em perfis de maior risco, incluindo veículos mais antigos e clientes com histórico de endividamento, normalmente mediante taxas de juros mais elevadas.

Dados divulgados pelo Banco Central apontavam que, em dezembro de 2025, o Digimais figurava entre as instituições financeiras com os maiores juros praticados no país, cobrando taxa média de 2,97% ao mês, equivalente a 41,07% ao ano.

Em 2021, os financiamentos de veículos representavam cerca de 94% da carteira de crédito do banco. Nos últimos anos, porém, essa participação diminuiu e passou a corresponder a aproximadamente 52% das operações, conforme informações apresentadas pela própria instituição ao Banco Central.

Até o momento, o banco não havia se manifestado oficialmente sobre a operação policial. A investigação prossegue para esclarecer a extensão das supostas irregularidades e identificar eventuais responsabilidades dos envolvidos.

Foto: Divulgação

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