Mesmo após fracasso do leilão, governo mantém plano de conceder rodovias do Bloco 2
Apesar da ausência de interessados no leilão realizado neste ano, o governo do Rio Grande do Sul não pretende abandonar o projeto de concessão das rodovias que integram o chamado Bloco 2. A confirmação foi feita pelo governador Eduardo Leite durante agenda em Lajeado, na terça-feira, 16, quando voltou a defender a iniciativa e sinalizou que pretende retomar o processo após analisar os motivos que levaram empresas a desistirem da disputa.
O bloco reúne seis rodovias estaduais, incluindo quatro trechos que cruzam o Vale do Taquari, região onde o projeto tem sido alvo de questionamentos por parte de lideranças políticas, entidades e movimentos comunitários desde sua apresentação.
Ao justificar a manutenção da proposta, o governador argumentou que a concessão permitiria um volume de investimentos superior ao que seria possível apenas com recursos públicos. Segundo ele, o modelo prevê cerca de R$ 6 bilhões em obras e melhorias ao longo do contrato.
Mesmo diante da defesa do governo, a falta de interessados no leilão reacendeu dúvidas sobre a viabilidade do projeto. A administração estadual informou ter solicitado ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) um levantamento para identificar as razões que levaram potenciais investidores a não apresentarem propostas.
A expectativa do Palácio Piratini é utilizar essas informações para avaliar eventuais ajustes no modelo antes de uma nova tentativa de concessão. O governo também pretende dialogar com órgãos de controle para verificar possíveis alterações capazes de aumentar o interesse do mercado.
O tema segue gerando debate especialmente no Vale do Taquari, onde setores da sociedade defendem que recursos públicos sejam direcionados diretamente para obras consideradas prioritárias, como recuperação de pontes, contenções de encostas e melhorias em rodovias afetadas pelas enchentes dos últimos anos.
Outro ponto levantado por críticos do projeto é o momento escolhido para a retomada da discussão. Com o mandato de Leite se aproximando da reta final e o calendário eleitoral de 2026 ganhando força, há questionamentos sobre a possibilidade de um processo dessa magnitude avançar antes da mudança de governo.
Ainda assim, o governador sustenta que existe prazo suficiente para dar continuidade à proposta. Segundo ele, mesmo que etapas como assinatura de contratos fiquem para a próxima gestão, os compromissos assumidos pelo Estado permaneceriam válidos.
Enquanto o governo busca alternativas para reativar o processo, o futuro da concessão das rodovias do Bloco 2 permanece indefinido. A expectativa agora gira em torno do diagnóstico solicitado ao BNDES, que deverá apontar os fatores que contribuíram para o insucesso do leilão e indicar se o projeto possui condições de avançar nos próximos meses.
Foto: Vitor Rosa / Secom

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