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MP conclui que cão Orelha não morreu por agressões e pede arquivamento de investigação

 

Ministério Público de Santa Catarina aponta doença grave preexistente como causa da morte do animal

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) solicitou o arquivamento da investigação sobre a morte do cão comunitário conhecido como Orelha, caso que ganhou repercussão nacional após denúncias de maus-tratos envolvendo adolescentes na Praia Brava, em Florianópolis. A conclusão foi divulgada na terça-feira, 12, após meses de apuração e análise de um amplo conjunto de provas técnicas.

Segundo o órgão, a morte do animal não teria relação com agressões físicas, mas sim com um quadro clínico considerado grave e já existente antes dos fatos investigados. A manifestação encaminhada à Justiça possui cerca de 170 páginas e reúne avaliações periciais, vídeos, fotografias, mensagens e depoimentos colhidos ao longo da investigação.

O caso ocorreu em janeiro deste ano e inicialmente mobilizou a Polícia Civil, que apontava que o cachorro teria sido atacado por um grupo de adolescentes durante a madrugada. A suspeita gerou forte repercussão nas redes sociais e levou inclusive ao pedido de internação de um dos jovens investigados.

Entretanto, conforme o Ministério Público, a reconstituição detalhada da cronologia dos acontecimentos revelou divergências nos horários registrados pelas câmeras de monitoramento utilizadas na investigação. A promotoria afirma que havia diferença aproximada de 30 minutos entre os sistemas de gravação analisados, fator que alterou significativamente a sequência dos fatos inicialmente apresentada.

Com base nas imagens revisadas, o órgão concluiu que o cão e os adolescentes investigados não estiveram no mesmo local durante o período apontado como momento da suposta agressão. O relatório também sustenta que o animal ainda apresentava movimentação considerada normal algum tempo depois do horário em que teria ocorrido o ataque.

As perícias realizadas após a exumação do corpo também foram consideradas decisivas para a mudança de entendimento. De acordo com os laudos, não foram encontradas fraturas ou lesões compatíveis com violência provocada por ação humana. Os exames apontaram sinais de osteomielite — uma infecção óssea severa — na região da mandíbula, além de inflamações associadas a problemas dentários avançados.

O veterinário que atendeu Orelha também prestou depoimento durante a investigação. Conforme os documentos analisados pelo MP, o cão apresentava um inchaço significativo na lateral da cabeça e na região ocular, compatível com um processo infeccioso prolongado.

Além do pedido de arquivamento do caso principal, o Ministério Público também determinou o encerramento de outra apuração que investigava suposta intimidação de testemunhas por familiares dos adolescentes envolvidos.

O órgão ainda encaminhou parte do material à Corregedoria da Polícia Civil de Santa Catarina para avaliação de possíveis falhas na condução da investigação inicial. Também foi solicitado que seja apurada eventual divulgação indevida de informações sigilosas relacionadas aos adolescentes investigados.

A decisão agora será analisada pela Vara da Infância e Juventude da Capital catarinense.

Foto: Reprodução

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