Queda de Bolsonaro na PF resulta em traumatismo leve e gera manifestações médicas e judiciais
A queda de Jair Bolsonaro ocorreu na madrugada de terça-feira, 6 de janeiro, dentro do espaço onde ele está custodiado pela Polícia Federal. Segundo o cardiologista Brasil Caiado, um dos médicos responsáveis pelo acompanhamento do ex-presidente, a hipótese inicial de que ele teria caído da cama foi descartada após conversa com o paciente. A avaliação médica aponta que Bolsonaro levantou, tentou caminhar pelo quarto e acabou caindo.
Exames realizados na quarta-feira não identificaram lesões intracranianas nem indicaram a necessidade de intervenção terapêutica. De acordo com o boletim médico, o quadro é considerado leve. O cardiologista afirmou ainda que Bolsonaro não apresentou episódios de confusão mental, embora tenha relatado tonturas e desequilíbrio após o ocorrido. A equipe médica segue avaliando possíveis interações medicamentosas.
Após a realização dos exames no Hospital DF Star, Bolsonaro retornou à Superintendência da Polícia Federal. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro afirmou que a defesa deve reforçar o pedido de prisão domiciliar, citando a idade e as condições de saúde do ex-presidente. Ela também questionou o tempo de resposta da assistência médica após a queda e disse haver divergências entre os horários informados por peritos e pela autoridade policial sobre o atendimento inicial.
As críticas levaram o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, a se manifestar oficialmente sobre o caso. O magistrado determinou que a Polícia Federal colha, no prazo de dez dias, o depoimento do presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), após a entidade divulgar nota questionando o atendimento médico oferecido a Bolsonaro. Moraes considerou ilegal a iniciativa do CFM e declarou nula a determinação de abertura de sindicância pelo Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal.
Na decisão, o ministro destacou que já havia sido autorizado atendimento médico integral ao ex-presidente desde novembro do ano passado e afirmou que não houve omissão por parte da equipe de saúde da Polícia Federal. Segundo Moraes, os exames realizados confirmaram que não houve agravamento do quadro clínico em decorrência da queda. O diretor do Hospital DF Star também foi intimado a encaminhar ao STF todos os laudos e exames médicos realizados.
Em resposta a questionamentos da defesa, a Polícia Federal informou ao Supremo que não é possível transferir Bolsonaro para outra sala dentro da Superintendência nem realizar intervenções estruturais para reduzir o ruído do ambiente, como o som do ar-condicionado, sem comprometer as condições de segurança do local.
Foto: Antonio Augusto / STF / Reprodução

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