Casos de dengue confirmados no início de 2026 acendem alerta no Vale do Taquari
A confirmação dos primeiros casos de dengue em 2026 reacendeu o alerta das autoridades de saúde no Vale do Taquari. Dois registros da doença foram confirmados nos primeiros dias do ano em Estrela, enquanto outras 18 notificações seguem em investigação, aguardando análise do Laboratório Central do Rio Grande do Sul (Lacen). O cenário preocupa pela combinação entre aumento da infestação do mosquito Aedes aegypti e a entrada do período mais quente e chuvoso.
Dados do Painel de Casos de Dengue da Secretaria Estadual da Saúde indicam que todos os municípios do Vale do Taquari apresentam circulação do mosquito transmissor. Levantamentos realizados por meio do LIRAa identificaram focos do inseto em recipientes com acúmulo de água, como pneus, entulhos e objetos de uso cotidiano, considerados os principais pontos de proliferação.
Em Estrela, a Vigilância Epidemiológica confirmou que o monitoramento por ovitrampas apontou crescimento expressivo na quantidade de ovos do mosquito ao longo da primavera e início do verão. Situação semelhante foi observada em Lajeado, onde a coleta também indicou elevação significativa dos índices de infestação em curto período.
As secretarias municipais de saúde intensificaram as ações de controle, com vistorias em bairros e áreas rurais, além de visitas domiciliares realizadas por agentes de endemias. A estratégia inclui revisão de imóveis próximos aos casos confirmados, com atenção especial a piscinas, reservatórios e caixas d’água sem vedação adequada.
Apesar de uma redução expressiva nos casos registrados entre 2022 e 2025, quando o número de confirmações caiu cerca de 86% na região, os indicadores atuais seguem acima do patamar considerado ideal. Em Estrela, o último LIRAa apontou índice de 2,8, quando o recomendado é inferior a 1%, demonstrando risco de novos surtos.
Outro fator de atenção é a circulação de diferentes sorotipos do vírus da dengue, o que amplia a possibilidade de reinfecção e tende a elevar o número de casos ao longo do ano. Diante desse cenário, as autoridades reforçam a necessidade de medidas preventivas contínuas por parte da população.
A orientação é eliminar qualquer forma de água parada, manter recipientes devidamente fechados, realizar limpeza periódica de calhas e quintais, além de adotar cuidados pessoais, como o uso de repelentes e roupas que cubram braços e pernas. Em caso de sintomas como febre alta, dores no corpo, dor de cabeça e manchas na pele, a recomendação é procurar atendimento de saúde para avaliação e diagnóstico.
Foto: Karine Pinheiro / Reprodução

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