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Anvisa autoriza uso de medicamento injetável semestral para prevenção do HIV no Brasil


Novo antirretroviral passa a integrar a profilaxia pré-exposição e amplia estratégias de prevenção contra o vírus

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, na segunda-feira, 12, a liberação do lenacapavir injetável de aplicação semestral para a prevenção do HIV no Brasil. O medicamento passa a fazer parte das opções de profilaxia pré-exposição (PrEP), ampliando as alternativas disponíveis para reduzir o risco de infecção pelo vírus no país.

De acordo com a Anvisa, o uso do lenacapavir é indicado para adultos e adolescentes a partir de 12 anos, com peso mínimo de 35 quilos, que apresentem risco de exposição ao HIV. A utilização do medicamento exige a confirmação prévia de resultado negativo para a infecção, conforme os protocolos de prevenção.

A decisão do órgão regulador brasileiro acompanha diretrizes divulgadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em julho de 2025, que recomendaram o lenacapavir como uma opção adicional de PrEP de longa duração. A OMS classificou o medicamento como a alternativa mais eficaz disponível até o momento, na ausência de uma vacina preventiva contra o HIV.

Estudos clínicos recentes reforçam a efetividade do antirretroviral. Pesquisa publicada em 2024 no New England Journal of Medicine apontou eficácia de 100% na prevenção da infecção pelo HIV em mulheres. Em um estudo posterior, envolvendo 3.265 participantes de diferentes gêneros, apenas dois voluntários que utilizaram o medicamento contraíram o vírus durante o acompanhamento.

Os resultados levaram, inclusive, à interrupção antecipada de um ensaio clínico realizado com mais de 2 mil mulheres cisgênero em Uganda e na África do Sul, após os dados superarem os critérios de eficácia previamente estabelecidos. As pesquisas foram apresentadas durante a 25ª Conferência Internacional sobre Aids, realizada em Munique, em 2024.

A OMS avalia que a incorporação de novas tecnologias preventivas ocorre em um cenário de estagnação global no combate ao HIV. Segundo a organização, cerca de 1,3 milhão de novas infecções foram registradas no mundo no último ano. Além do lenacapavir, a entidade também passou a recomendar o uso ampliado de testes rápidos, com o objetivo de facilitar o diagnóstico e reduzir custos operacionais.

O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) destacou que o medicamento pode contribuir de forma decisiva para o alcance da meta de eliminar a Aids como ameaça à saúde pública até 2030, compromisso previsto na Agenda 2030 da ONU. No entanto, o órgão alerta para o desafio do acesso, considerando que o custo anual estimado do tratamento gira em torno de US$ 40 mil por pessoa.

Para o Unaids, a ampliação do acesso ao lenacapavir será determinante para o impacto global da medida. A agência defende que a disponibilização equitativa do medicamento é essencial para acelerar os esforços internacionais de prevenção e controle da epidemia de HIV.

Foto: Reprodução

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