Usuários da balsa cobram solução após um ano de filas, promessas não cumpridas e rodovia abandonada
Estrutura provisória opera abaixo do tamanho previsto em contrato; enquanto isso, obras da nova ponte avançam, mas população segue sofrendo com horas de espera
A rotina de quem depende da travessia por balsa na ERS-431, entre os municípios de São Valentim do Sul e Santa Tereza, continua marcada por longas filas, atrasos e frustração. Há mais de um ano, usuários esperam durante horas para cruzar o Rio Taquari, em razão do porte reduzido da embarcação atual, que deveria ser quase o dobro do tamanho, conforme estipulado no contrato entre o Governo do Estado com a empresa Lacel. A concessionária, ao entregar a nova balsa em 2024, prometeu ampliar sua capacidade “em poucos meses”. Doze meses depois, nada mudou: o compromisso jamais saiu do papel.
Enquanto isso, a rodovia ERS-431 sofre com abandono. Desde os deslizamentos de maio de 2024, trechos inteiros permanecem esburacados, sem contenção e sem qualquer sinalização adequada, tornando o deslocamento ainda mais perigoso para moradores, trabalhadores e produtores que precisam escoar mercadorias.
Neste cenário de desgaste diário, o governo do Estado anunciou avanço na obra da nova ponte Santa Bárbara, que substituirá a estrutura destruída pela enchente de setembro de 2023. Segundo a Secretaria de Logística e Transportes (Selt), já foram concluídas etapas de fundação, blocos de sustentação e estacas, além da concretagem dos primeiros pilares. O investimento previsto é de R$ 31,3 milhões.
A nova ponte será mais alta, mais longa e mais larga que a anterior, incorporando acostamentos e dimensões capazes de melhorar a segurança viária entre São Valentim do Sul e Santa Tereza. Em vistoria recente, o secretário Juvir Costella afirmou que os trabalhos seguem o cronograma e devem ser concluídos em 2026. “A estrutura foi planejada para resistir a eventos climáticos extremos, garantindo mobilidade e escoamento da produção”, disse.
Mesmo com o otimismo do governo, a população segue à espera de soluções imediatas. Para muitos, a realidade é clara: antes que a nova ponte fique pronta, é urgente que o Estado e a Lacel atendam às demandas mais básicas: uma balsa com capacidade compatível com a necessidade da região. Até lá, as filas continuam, e a paciência dos usuários vai ficando cada vez mais curta.
Foto: Fabrício Santos / Selt / Reprodução

Os políticos da região estão preocupados com a ferrovia que não passa mais trem do que a rodovia que o povo usa todos os dias
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