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Polícia Civil divulga perfil das 117 mortes na megaoperação em favelas do Rio

 


A Polícia Civil do Rio de Janeiro divulgou, na noite de domingo, 2 de novembro, um relatório com o perfil de 115 das 117 pessoas mortas durante a Operação Contenção, deflagrada em 28 de outubro nos Complexos do Alemão e da Penha, na zona norte da capital. A ação, considerada uma das mais letais da história do estado, teve como alvo integrantes do Comando Vermelho e resultou em confrontos de grande proporção nas comunidades.

Segundo o documento, elaborado pela Ouvidoria-Geral da Defensoria Pública e divulgado pela corporação, mais de 95% dos mortos tinham vínculos comprovados com a facção criminosa. Entre os identificados, 97 possuíam antecedentes criminais relevantes e 59 estavam com mandados de prisão em aberto. Apenas dois casos seguem com laudos periciais inconclusivos.

O levantamento também aponta que 17 mortos não tinham registros anteriores na Justiça. Desses, 12 teriam apresentado indícios de envolvimento com o tráfico de drogas a partir da análise de redes sociais e comunicações telefônicas. As demais ocorrências ainda estão sob investigação.

A operação, conduzida por forças integradas das polícias Civil e Militar, foi planejada para conter a expansão territorial do Comando Vermelho em áreas dominadas por grupos rivais. No balanço oficial, a corporação informou que 62 dos mortos vieram de outros estados brasileiros, incluindo Pará, Bahia, Amazonas, Goiás, Ceará e São Paulo o que reforça, segundo as autoridades, o caráter interestadual da organização criminosa.

O relatório descreve os mortos como “neutralizados” e destaca que muitos integravam quadrilhas especializadas em tráfico de armas e drogas, com ramificações em diferentes regiões do país. Apesar disso, defensores públicos e organizações de direitos humanos cobram transparência nas investigações e questionam a proporção da letalidade policial.

Com 117 mortos, a Operação Contenção supera o número de vítimas registradas em outras ações recentes da segurança pública fluminense, reacendendo o debate sobre o uso da força em territórios periféricos e os limites da atuação policial em áreas de conflito.

Foto:  Tânia Rego / Agência Brasil / Reprodução

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