Modelos climáticos apontam possível retorno do El Niño em 2026 e acendem alerta para novas enchentes no Sul
Fenômeno pode voltar a atuar a partir do outono do próximo ano, aumentando o risco de chuvas intensas, mas ainda não há previsão oficial de intensidade
O Rio Grande do Sul pode voltar a enfrentar um cenário de atenção redobrada a partir de 2026. Projeções climáticas internacionais indicam que o Oceano Pacífico Equatorial deve começar a aquecer no outono do próximo ano, movimento que pode culminar na formação de um novo episódio de El Niño, fenômeno que altera padrões globais de circulação atmosférica e costuma intensificar as chuvas no Sul do Brasil.
O possível retorno ocorre pouco tempo depois do último El Niño, registrado entre 2023 e 2024, responsável por desencadear a sequência de enchentes históricas que devastaram o Rio Grande do Sul. Naquela mesma temporada, o fenômeno também provocou ondas de calor intensas no Centro do país, contribuindo para recordes de temperatura e aumento das queimadas.
Fenômeno natural, efeitos diferentes
O El Niño é uma oscilação natural que surge quando as águas do Pacífico Equatorial ficam mais quentes que o normal. Embora seja recorrente, cada episódio apresenta intensidade e duração próprias e, por isso, seus impactos nunca são idênticos de um ciclo para outro. Em anos mais fortes, o fenômeno costuma provocar secas extremas em algumas regiões e chuvas excessivas em outras.
Especialistas alertam que, caso se confirme um novo El Niño em 2026, isso não significa a repetição automática dos eventos extremos de 2024. No entanto, o fenômeno eleva o risco de enchentes na Região Sul e de calor excessivo no Centro-Oeste, Sudeste e parte da Amazônia.
Situação atual: La Niña enfraquecida
Hoje, o Pacífico vive a fase oposta: um episódio de La Niña de baixa intensidade, declarado pela Agência Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) em outubro. O resfriamento das águas deve persistir até o início de 2026, quando as condições tendem a retornar à neutralidade antes de uma possível virada para o aquecimento.
O que dizem os modelos de clima
Simulações analisadas pela MetSul Meteorologia mostram tendência clara de aquecimento do Pacífico a partir do outono de 2026. Caso o padrão se confirme, o El Niño pode se instalar no fim do outono ou no início do inverno e se prolongar até 2027. Ainda é cedo, porém, para prever intensidade ou mesmo afirmar com certeza que o fenômeno ocorrerá.
Nos próximos meses, novos dados devem refinar o cenário.
Por que o El Niño agrava o risco de enchentes
Quando o Pacífico aquece, a circulação atmosférica sobre a América do Sul muda. No Sul do Brasil, isso significa frentes frias mais frequentes, sistemas de baixa pressão persistentes e um corredor contínuo de umidade, combinação que favorece semanas de chuva acima da média, deixando rios e solos saturados.
É um ambiente propício para enxurradas e inundações mesmo com episódios de chuva não necessariamente extremos. Sob esse contexto, o El Niño tende a intensificar temporais localizados e precipitações fortes em curtos períodos, um padrão especialmente perigoso para áreas urbanas e regiões já vulneráveis.
Embora enchentes possam ocorrer sem o fenômeno, como demonstrado pela cheia do Rio Jacuí em junho, quando o Pacífico estava neutro, o aquecimento global tem potencializado eventos extremos. Com o El Niño atuando nesse cenário mais quente, o risco se torna ainda maior.
Não por acaso, três das cinco maiores cheias do Guaíba desde 1940 ocorreram em apenas nove meses, entre 2023 e 2024.
O que é o El Niño
O Pacífico Equatorial alterna entre três fases:
-
El Niño: águas mais quentes que a média;
-
Neutralidade: temperaturas dentro dos padrões normais;
-
La Niña: águas mais frias.
Durante o El Niño, os ventos alísios enfraquecem e o calor oceânico se desloca para a costa oeste das Américas, modificando o clima em várias partes do planeta.


Nenhum comentário