MEC aciona PF após universitário antecipar questões do Enem 2025; três itens são anulados
Estudante que participa de pré-testes do Inep publicou conteúdos semelhantes aos da prova e vendia aulas preparatórias on-line
O Ministério da Educação (MEC) determinou a anulação de três questões do Enem 2025 e acionou a Polícia Federal após a identificação de um universitário que divulgou, dias antes da aplicação do exame, conteúdos muito semelhantes aos itens que caíram na prova de domingo. O caso envolve Edcley Teixeira, estudante de Medicina e produtor de conteúdo nas redes sociais, que afirmou ter lembrado de perguntas usadas nos pré-testes do Inep e as utilizou em suas aulas on-line.
Segundo o MEC, cinco dias antes do Enem, Edcley corrigiu ao vivo, em seu canal no YouTube, questões praticamente idênticas às apresentadas no exame oficial. Entre elas, uma pergunta de Biologia, exibida como item 34 na live, que tratava da evolução de espécies restritas a ambientes específicos. Embora o enunciado do Enem fosse diferente, quatro das cinco alternativas eram iguais às trabalhadas pelo jovem, inclusive a resposta correta. Outro exemplo, divulgado em stories, envolve uma questão sobre ruído sonoro, que reproduzia integralmente alternativas, valores e função logarítmica usados na prova.
O estudante afirma ter acesso prévio a questões em edições anteriores, como 2023 e 2024, por participar dos pré-testes utilizados pelo Inep para calibrar itens com base na Teoria da Resposta ao Item (TRI). A metodologia prevê que participantes desses testes tenham contato com perguntas que podem ser aproveitadas futuramente, mas o conteúdo é sigiloso e protegido por protocolos de segurança.
Em nota, o MEC e o Inep reforçam que nenhuma questão divulgada por Edcley foi apresentada de forma idêntica na prova de 2025, embora tenham sido constatadas “similaridades pontuais”. Diante da repercussão, a comissão responsável pela elaboração do exame decidiu anular três itens, preservando a isonomia e a validade estatística da avaliação.
A Polícia Federal já iniciou apurações para investigar uma possível quebra de confidencialidade e eventual responsabilização pela divulgação indevida de material sigiloso. O Inep afirma que todos os procedimentos de segurança foram cumpridos e que mantém estratégias rigorosas para proteger o Banco Nacional de Itens.
De acordo com informações atribuídas a Edcley no site Escavador, ele cursa o quinto período de Medicina na Universidade Federal do Ceará (UFC) e é proprietário de uma empresa de cursos preparatórios voltados ao Enem.
Foto: ABr / Reprodução

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