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Bolsonaro admite ter danificado tornozeleira com ferro de solda; STF julga hoje manutenção da prisão preventiva

 

Relatório aponta queimaduras no equipamento, e ministros analisam agravamento do descumprimento de medidas cautelares

A Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal divulgou, no sábado, 22, um relatório e um vídeo em que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) admite ter usado um ferro de solda para danificar a tornozeleira eletrônica que utilizava enquanto cumpria prisão domiciliar. O documento técnico descreve “sinais claros e importantes de avaria”, incluindo queimaduras ao redor de toda a estrutura do equipamento. A violação acionou o alarme às 0h07min, mobilizando a equipe de segurança responsável pela vigilância do ex-presidente, que confirmou o dano e realizou a substituição da tornozeleira pouco após a 1h da manhã.

Questionado pelas autoridades, Bolsonaro afirmou que começou a manipular o equipamento ainda na tarde de sábado. Segundo depoimento prestado à juíza auxiliar Luciana Sorrentino, o ex-presidente alegou ter tido um “surto” provocado por medicamentos psiquiátricos — em especial a pregabalina, utilizada no tratamento de dores neuropáticas e ansiedade — e disse acreditar que havia uma escuta acoplada à tornozeleira. Apesar da confissão sobre o dano ao dispositivo, negou que tivesse intenção de fuga.

O caso levou a Primeira Turma do STF a iniciar, nesta segunda-feira (24), o julgamento que decidirá se mantém ou não a prisão preventiva decretada pelo ministro Alexandre de Moraes. A votação ocorre no plenário virtual, entre 8h e 20h, com a participação de Moraes, do presidente da Turma, Flávio Dino, e dos ministros Cristiano Zanin e Cármen Lúcia. Moraes foi o primeiro a votar e defendeu a continuidade da prisão preventiva, citando a confissão de Bolsonaro durante a audiência de custódia e classificando o ato como “falta grave, descumprimento ostensivo de medida cautelar e evidente desrespeito à Justiça”. Dino acompanhou o voto, destacando a violação do equipamento e episódios recentes envolvendo aliados do ex-presidente, que, segundo ele, demonstrariam “profunda deslealdade com as instituições pátrias”.

Bolsonaro está preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília desde a manhã de sábado, após a PF identificar risco de fuga e a danificação da tornozeleira. Antes disso, o ex-presidente cumpria prisão domiciliar por tentar atrapalhar as investigações do processo relacionado à tentativa de golpe de Estado, caso em que foi condenado a 27 anos e três meses, ainda sem trânsito em julgado. As defesas de Bolsonaro e de outros seis condenados têm até esta segunda-feira para apresentar novos embargos de declaração.

Foto: Redes Sociais / Reprodução

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