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La Niña é confirmada e deve trazer estiagem ao Sul do Brasil nos próximos meses

 


O Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos (CPC/NOAA) confirmou oficialmente a formação do fenômeno climático La Niña, caracterizado pelo resfriamento das águas do Oceano Pacífico Equatorial. A expectativa é de que o evento, de intensidade considerada fraca, se mantenha entre dezembro deste ano e fevereiro de 2026, alterando o regime de chuvas em diferentes regiões do país.

Segundo o órgão norte-americano, o resfriamento das águas foi constatado com o índice Niño-3.4 registrando -0,5°C, valor que confirma o início do fenômeno. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) já havia alertado em setembro para a possibilidade de formação da La Niña ainda durante a primavera, com probabilidade de 55% entre setembro e novembro, e de 60% entre outubro e dezembro.

De acordo com o CPC/NOAA, “as condições de La Niña surgiram em setembro, com temperaturas da superfície do mar abaixo da média no Pacífico equatorial central e oriental”. Esse padrão influencia diretamente o comportamento atmosférico no Brasil, provocando efeitos distintos conforme a região.

No Sul do país, especialmente no Rio Grande do Sul, a tendência é de chuvas abaixo da média e maior risco de estiagem durante o verão. O Estado, que vinha registrando neutralidade climática desde o início do ano, pode ter precipitações até 50% inferiores à média histórica entre novembro e dezembro, conforme dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e do Sistema de Monitoramento e Alerta Agroclimático (Simagro-RS).

Em contrapartida, as regiões Norte e Nordeste devem ter volume de chuvas acima da média, enquanto o Centro-Oeste e o Sudeste podem registrar temperaturas ligeiramente mais amenas.

Os reflexos do fenômeno também devem ser sentidos no setor agropecuário. O déficit hídrico previsto para o Sul e parte do Sudeste preocupa fruticultores e produtores de grãos, que podem enfrentar prejuízos com a redução da produtividade. Na citricultura paulista, por exemplo, especialistas alertam que a falta de umidade pode intensificar doenças como o greening, que já ameaça pomares em larga escala.

Por outro lado, na pecuária, o aumento das chuvas previsto para áreas de cria, como Mato Grosso do Sul e Tocantins, tende a favorecer o crescimento de pastagens, melhorando as condições de alimentação e incentivando a retenção de fêmeas pelos produtores.

Diante da previsão de seca no Sul, programas estaduais de adaptação climática, como o Irriga+, ganham importância. A iniciativa do governo gaúcho oferece apoio financeiro de até 20% do investimento em projetos de irrigação e armazenamento de água, limitado a R$ 100 mil por empreendimento. Desde o lançamento, o programa já contabiliza mais de 1,1 mil projetos inscritos, com 17 mil hectares irrigados em 220 municípios.

Foto: Reprodução

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