Israel aprova cessar-fogo com o Hamas e acordo prevê libertação de reféns em até 72 horas
O governo de Israel aprovou, na quinta-feira, 9 de outubro, o acordo de cessar-fogo com o Hamas, que também prevê a libertação dos reféns ainda em poder do grupo. A decisão encerra meses de intensas negociações mediadas por Estados Unidos, Egito, Catar e Turquia, e estabelece um prazo de 24 horas para a implementação da trégua na Faixa de Gaza.
Pelo acordo, o Hamas deverá libertar todos os reféns em até 72 horas após o início do cessar-fogo. Segundo autoridades israelenses, 48 pessoas ainda permanecem sequestradas desde o ataque de 2023, quando o grupo invadiu o território israelense, matando centenas e levando civis como prisioneiros. Israel estima que cerca de 20 reféns estejam vivos. Em contrapartida, o governo israelense deverá libertar aproximadamente 2 mil prisioneiros palestinos, incluindo condenados por crimes graves.
O plano de paz, apresentado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no fim de setembro, prevê o fim dos bombardeios em Gaza e uma retirada gradual das tropas israelenses. Inicialmente, as Forças de Defesa de Israel devem reduzir a ocupação do território de 75% para 57%, mantendo algumas posições estratégicas até que a devolução dos reféns seja concluída.
Apesar da aprovação do acordo, houve divergências dentro do governo israelense. Dois ministros da ala mais radical, Itamar Ben-Gvir, da Segurança Nacional, e Bezalel Smotrich, das Finanças, votaram contra a proposta. Após a reunião, Ben-Gvir ameaçou romper a coalizão governista caso o Hamas não fosse completamente desmantelado.
O ministro das Relações Exteriores, Gideon Sa’ar, declarou à emissora norte-americana Fox News que Israel não pretende continuar a guerra após o início da trégua. Já o negociador-chefe do Hamas, Khalil Al-Hayy, afirmou que o grupo considera o acordo como o fim formal do conflito e que recebeu garantias dos Estados Unidos e de mediadores árabes sobre a manutenção do cessar-fogo.
Esta é a terceira tentativa de cessar-fogo desde o início da guerra, em outubro de 2023. Os dois acordos anteriores, firmados em novembro daquele ano e em janeiro de 2025, resultaram na libertação parcial de reféns, mas não conseguiram estabelecer uma trégua duradoura.
O presidente Donald Trump deve viajar a Israel nos próximos dias, onde foi convidado a discursar no Parlamento e sinalizou a intenção de visitar a Faixa de Gaza, em um gesto simbólico de apoio à implementação do acordo de paz.
Foto: Reprodução

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