ONS vê benefícios no retorno do horário de verão, mas descarta necessidade imediata
O debate sobre a volta do horário de verão voltou ao centro das discussões do setor elétrico brasileiro. De acordo com o diretor de operações do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Cristiano Vieira, a medida traria ganhos concretos à operação do sistema, principalmente ao reduzir a necessidade de acionamento de termelétricas, mas não é considerada imprescindível para garantir o fornecimento em 2025.
Adotado no Brasil até 2019, quando foi suspenso por decisão do então presidente Jair Bolsonaro após estudos apontarem baixa efetividade, o horário de verão consiste em adiantar os relógios em uma hora para aproveitar melhor a luz solar. Vieira destaca que, na atual configuração de consumo e geração de energia, a medida pode contribuir para aliviar os horários de pico, embora sua aplicação dependa de decisão do governo federal. “Para este horizonte agora [de 2025] não chega a ser imprescindível. É efetivo, recomendável, tem benefícios tangíveis, mas é uma decisão que extrapola o setor elétrico, já que envolve outros ministérios”, afirmou o diretor.
O ONS, no entanto, alerta que a pressão sobre o sistema deve aumentar já em 2026. O órgão indicou ao Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) a necessidade de novos leilões para contratar capacidade adicional, diante de um descompasso entre a evolução da demanda e o calendário de contratação. Nesse cenário, o Ministério de Minas e Energia determinou a antecipação da entrada em operação de usinas termelétricas do Leilão de Reserva de Capacidade de 2021, somando 2,2 gigawatts de potência instalada a partir de agosto de 2025.
A operação do sistema tem enfrentado novos desafios com a expansão das fontes renováveis, como eólica e solar, cuja produção é intermitente e não controlada diretamente pelo ONS. Além disso, o avanço acelerado da micro e minigeração distribuída, que acrescenta cerca de 7 GW ao ano, já provocou episódios de sobreoferta em horários de baixa demanda. No Dia dos Pais deste ano, por exemplo, o país esteve próximo de um apagão não por falta, mas por excesso de geração.
Para Vieira, a prioridade do operador é garantir flexibilidade, ou seja, ampliar a capacidade de acionar e desligar usinas rapidamente, algo que nem sempre é possível com a atual matriz elétrica. “O desafio é manter o equilíbrio entre oferta e demanda em tempo real, o que exige novos mecanismos, como leilões de capacidade, resposta da demanda e, futuramente, sistemas de armazenamento”, concluiu.
Foto: Alex Rocha / PMPA / Reprodução
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