Na ONU, Lula condena sanções dos EUA e alerta para avanço do autoritarismo mundial
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou seu discurso de abertura da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), nesta terça-feira, 23, para criticar duramente as sanções unilaterais impostas pelos Estados Unidos e alertar sobre o crescimento do autoritarismo no cenário global.
Segundo Lula, o multilateralismo enfrenta uma crise sem precedentes, colocando em risco a autoridade da ONU. “Vivemos a consolidação de uma desordem internacional marcada por sanções arbitrárias e intervenções unilaterais que se tornaram regra”, afirmou.
O presidente destacou que há uma relação direta entre o enfraquecimento da democracia e a fragilidade das instituições internacionais. “O autoritarismo se fortalece quando há omissão diante de arbitrariedades. Quando a sociedade internacional vacila na defesa da paz, da soberania e do direito, as consequências são trágicas”, disse.
Em sua fala, Lula também fez referência à tentativa de interferência dos Estados Unidos no Judiciário brasileiro. Ele citou a imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros durante o governo de Donald Trump e as sanções aplicadas contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) por meio da Lei Magnitsky, mecanismo que prevê punições econômicas a supostos violadores de direitos humanos no exterior.
Entre as medidas adotadas pelo governo norte-americano estiveram o bloqueio de bens, a restrição de negócios nos EUA e o cancelamento de vistos de magistrados, incluindo Gilmar Mendes, Cármen Lúcia, Flávio Dino, Cristiano Zanin, Dias Toffoli, Luís Roberto Barroso e Edson Fachin.
Apesar dos ataques, Lula reforçou que o Brasil tem resistido e seguirá defendendo sua democracia. “Mesmo sob ataques sem precedentes, o país escolheu preservar as instituições e honrar a conquista de 40 anos atrás, quando superamos a ditadura”, concluiu.
Foto: Ricardo Stuckert / PR / Reprodução

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