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Escândalo em Canoas: cães mortos, freezer na secretaria e R$ 100 mil apreendidos


A Polícia Civil do Rio Grande do Sul investiga a ex-secretária de Bem-Estar Animal de Canoas, suspeita de usar a estrutura pública para matar cães resgatados das ruas. Durante as apurações, 14 animais foram encontrados mortos dentro de sacolas plásticas em um freezer da própria secretaria. O caso veio à tona após denúncias de servidores sobre eutanásias em número acima da média e desaparecimento de resgates.

A operação policial foi deflagrada nesta quinta-feira, 4 de setembro, com mandados de busca e apreensão cumpridos na sede da secretaria e em outros cinco endereços ligados aos investigados. Conforme a delegada responsável pelo caso, Luciane Bertolletti, os registros apontam 239 eutanásias em apenas oito meses — índice considerado anormal para o município. Normalmente, os corpos eram levados a uma universidade para incineração, mas parte deles acabou localizada na estrutura do órgão.

A principal investigada é Paula Lopes, que comandou a secretaria entre janeiro e agosto e também presidia uma ONG de resgate animal. De acordo com a investigação, ela usava as redes sociais para pedir doações em nome de cães doentes, que depois desapareciam. As contribuições eram recebidas via Pix da entidade. Na casa dela, a polícia apreendeu cerca de R$ 100 mil em espécie.

Além da ex-secretária, também são alvo da investigação uma médica veterinária e um homem acusado de transportar restos mortais dos animais. A polícia ainda apura denúncias de maus-tratos a gatos que eram mantidos em um contêiner de forma considerada irregular.

A ex-secretária Paula Lopes negou irregularidades e disse estar tranquila quanto à investigação. Em declaração, afirmou que as denúncias seriam infundadas e motivadas por disputas políticas. “Está tudo bem. Estou em casa e está tudo certo. Isso é só mais um reflexo do que a política faz. Desde que fui para Canoas, em janeiro, logo nas primeiras semanas já tive que ir para o Ministério Público por causa de denúncias. As pessoas que perdem algo, não querem perder e começam a fazer denúncias infundadas. Nunca teve nada. Estão tentando achar cabelo em ovo. Estou muito tranquila. Eles entraram aqui em casa, reviraram tudo, levaram algumas coisas. Vamos esperar o desenrolar. Mais uma vez, vão cair por terra as informações infundadas. Meu único objetivo vai ser sempre ajudar os animais”, declarou.

Em nota oficial, a Prefeitura de Canoas manifestou indignação diante das denúncias relacionadas à operação policial. A administração destacou que o cuidado com os animais sempre foi tratado como prioridade e informou que, além de colaborar com as investigações, instaurou um expediente interno para apurar os fatos com rigor.

O inquérito segue em andamento, e a Polícia Civil avalia o enquadramento dos suspeitos por crimes de maus-tratos e improbidade administrativa.

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