Editorial | Dois anos depois, ainda seguimos contando perdas
Há exatos dois anos, o Vale do Taquari viveu a primeira grande enchente que entrou para a história do Rio Grande do Sul. Em setembro de 2023, vimos casas sendo engolidas pelas águas, famílias inteiras perdendo tudo o que haviam conquistado ao longo de uma vida, bens sendo arrastados em minutos e, de forma ainda mais cruel, vidas sendo ceifadas. O medo, a angústia e a sensação de impotência diante da força da natureza marcaram profundamente cada um de nós.
No entanto, o que parecia ser uma tragédia sem precedentes revelou-se apenas o início de uma sequência dolorosa. Em maio de 2024, uma enchente ainda maior devastou não apenas o Vale do Taquari, mas praticamente todo o Rio Grande do Sul. Cidades que já estavam fragilizadas pelo desastre de 2023 sofreram novos e mais profundos danos, enquanto outros municípios, até então poupados, passaram a conhecer o desespero que já habitava o coração de tantas famílias.
Dois anos depois, ainda restam muitas perguntas sem resposta. Quantas casas foram, de fato, entregues? Onde estão as obras de prevenção tão prometidas? Quando veremos a dragagem efetiva do Rio Taquari? Onde estão os programas de desassoreamento contínuo de arroios e riachos? E o apoio psicológico, essencial para quem vive até hoje com medo cada vez que nuvens escuras se formam no horizonte?
É preciso dizer com clareza: tragédia não pode ser palco para oportunismo. Em 2026, a população gaúcha terá novamente a chance de escolher seus representantes. Que cada eleitor se lembre de quem estendeu a mão de verdade, de quem trouxe recursos, de quem arregaçou as mangas para reconstruir cidades. E que jamais esqueça daqueles que apenas apareceram para fotografias, discursos e promessas vazias. A memória coletiva precisa ser ferramenta de justiça.
O Portal Acontece no Vale reafirma seu compromisso em não deixar que essa pauta desapareça com o tempo. Seguiremos cobrando as autoridades, acompanhando as entregas e denunciando omissões. Nosso dever é manter viva a voz de quem perdeu tudo, de quem ainda espera, de quem não pode ser esquecido.
Porque reconstruir não é apenas erguer paredes: é devolver dignidade, segurança e esperança ao nosso povo.

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