Caso Canoas: denúncias apontam eutanásias em série e ocultação de informações
A investigação sobre as mortes em massa de animais no abrigo municipal de Canoas ganhou novos elementos a partir de depoimentos de ex-servidores da Secretaria de Bem-Estar Animal. Os relatos indicam que cães e gatos encaminhados para tratamento eram sacrificados logo após a saída de seus tutores, em alguns casos sem justificativa médica aparente.
Um dos depoimentos descreve que a prática ocorria de forma sistemática, inclusive quando havia possibilidade de recuperação. Como exemplo, foi citado um cachorro diagnosticado com cinomose que, mesmo em condição estável, teria sido eutanasiado minutos depois de entregue, sob o argumento de evitar custos com internação.
As denúncias também apontam para a supressão de registros que identificavam os animais mortos, medida que teria sido solicitada pela então gestora da pasta. Segundo testemunhas, essa conduta dificultava o acompanhamento dos procedimentos e, em muitos casos, as famílias só eram informadas da morte dias depois, sem direito a velório ou sepultamento.
A Polícia Civil já confirmou que 239 eutanásias ocorreram em um intervalo de oito meses. Em operação recente, os investigadores localizaram 14 corpos de animais armazenados em um freezer, além de medicamentos veterinários e mais de R$ 100 mil em espécie em endereços vinculados ao caso.
A Prefeitura de Canoas anunciou a criação de uma comissão para verificar a situação do abrigo e colaborar com as autoridades. As apurações seguem em andamento, com oitivas de testemunhas e análise sobre possíveis responsabilidades da gestão municipal e de clínicas particulares que prestavam serviços ao órgão.
Foto: Reprodução

Nenhum comentário