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Brasileiro se torna 7ª pessoa no mundo a eliminar HIV após tratamento experimental da Unifesp


Um avanço histórico da ciência brasileira trouxe esperança para milhões de pessoas que vivem com HIV. Um paciente de São Paulo, infectado em 2012, é agora a sétima pessoa no mundo a alcançar a chamada “cura funcional” da doença, após participar de um tratamento experimental desenvolvido pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

O estudo, liderado pelo infectologista Ricardo Sobhie Diaz, combinou o coquetel tradicional usado no combate ao vírus com outros três medicamentos que despertam o HIV “adormecido” nas células, permitindo que fosse eliminado pelo próprio tratamento. Além disso, foi aplicada uma terapia celular semelhante a uma vacina, criada a partir do próprio vírus do paciente.

Três anos após o início da pesquisa, os exames já não detectavam o vírus no organismo. “Eu não acreditava quando ouvi que estava curado. Fiz os testes novamente, ao lado das médicas e enfermeiras, e o resultado foi o mesmo: não havia mais HIV no meu sangue”, contou o paciente, emocionado, em entrevista ao programa Fantástico.

O caso surpreendeu até os pesquisadores. Durante dois anos, o paciente conseguiu viver sem qualquer medicação, mantendo a carga viral indetectável e sem apresentar anticorpos do vírus — resultado inédito entre os estudos conduzidos apenas com medicamentos, sem necessidade de transplante de medula.

Embora os cientistas evitem falar em “cura definitiva” e usem o termo “remissão” ou “cura funcional”, os resultados representam um marco. Para o coordenador científico da Sociedade Brasileira de Infectologia, Alexandre Naime Barbosa, trata-se de um passo promissor: “O objetivo é manter o paciente com carga viral indetectável, sem risco de transmissão, mesmo sem uso contínuo de remédios”.

Publicado em uma revista científica internacional em agosto, o estudo pode abrir caminho para novos protocolos de tratamento. Hoje, cerca de 800 mil brasileiros vivem com HIV e recebem acompanhamento gratuito pelo SUS.

Enquanto isso, o Brasil também participa de pesquisas internacionais sobre formas de prevenção mais eficazes, como a PrEP injetável, já disponível em farmácias privadas, mas ainda fora da rede pública.

A expectativa dos pesquisadores é expandir os testes com mais voluntários e confirmar os resultados pioneiros obtidos com o “Paciente de São Paulo”, símbolo de um futuro mais próximo da sonhada vitória contra o HIV.

Foto: Reprodução


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