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Entram em vigor novas tarifas dos EUA sobre exportações brasileiras


Começaram a valer nesta quarta-feira, 6 de agosto, as novas tarifas de 50% aplicadas pelos Estados Unidos a parte das exportações brasileiras. A medida, determinada pelo presidente norte-americano Donald Trump, afeta 35,9% das mercadorias enviadas ao país, o que equivale a cerca de 4% do total exportado pelo Brasil.

Produtos como café, frutas e carnes estão entre os que passam a pagar a sobretaxa. No entanto, uma lista de aproximadamente 700 itens foi poupada da nova tarifa, incluindo suco e polpa de laranja, combustíveis, fertilizantes, minérios, celulose, metais preciosos e componentes de aeronaves civis.

A decisão norte-americana faz parte de uma política mais ampla da Casa Branca, que tem buscado rever acordos comerciais e impor barreiras tarifárias como forma de fortalecer a indústria dos EUA diante da crescente influência econômica da China. O Brasil, que antes havia sido atingido por uma taxa mais branda de 10%, agora enfrenta o impacto direto da escalada protecionista.

Segundo analistas, o endurecimento da postura dos Estados Unidos também tem motivações políticas. A elevação das tarifas teria sido uma resposta ao posicionamento do Brasil em fóruns internacionais e ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado de tentativa de golpe após as eleições de 2022. A medida é vista por especialistas como uma forma de pressionar o Brics, bloco que discute alternativas ao uso do dólar nas transações globais — ponto sensível para Washington.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se pronunciou sobre o tema no domingo, 3 de agosto Disse que o Brasil não busca confronto com os Estados Unidos, mas não aceitará imposições que tratem o país com inferioridade. Lula reafirmou o compromisso com uma política externa soberana e com o uso de moedas alternativas ao dólar.

Em paralelo, o governo brasileiro anunciou que irá lançar, nos próximos dias, um plano de apoio às empresas prejudicadas. Entre as medidas previstas estão linhas de crédito emergenciais e a possibilidade de firmar contratos com o poder público para compensar perdas.

As conversas entre os dois países já começaram. A Secretaria do Tesouro norte-americano fez contato com o Ministério da Fazenda para discutir o cenário. O presidente Trump, inclusive, teria demonstrado interesse em dialogar diretamente com Lula.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sinalizou que o Brasil pode colocar em pauta a exportação de minerais críticos e terras raras — insumos estratégicos para a indústria tecnológica, escassos nos Estados Unidos. O setor cafeeiro, por sua vez, busca uma reavaliação da inclusão do produto na lista tarifada, especialmente após a China habilitar, no mesmo dia, 183 empresas brasileiras para vender café ao seu mercado.

Foto: Porto de Santos / Reprodução

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