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Especialistas reforçam que enfrentamento às enchentes exige planejamento amplo e não se resolve apenas com dragagens


Responsáveis por recentes análises técnicas a respeito das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul, pesquisadores e especialistas ligados a universidades e entidades científicas afirmam que o assoreamento não foi determinante para os alagamentos registrados no Guaíba, no Delta do Jacuí e no Rio Taquari. A conclusão foi apresentada na manhã de quinta-feira, 10, durante reunião do Conselho e do Comitê Científico do Plano Rio Grande, em Porto Alegre.

De acordo com os relatórios elaborados por instituições como o Instituto de Pesquisas Hidráulicas da UFRGS (IPH), o Comitê Científico de Adaptação e Resiliência Climática (CCARC), o Programa de Gestão Ambiental do Porto de Porto Alegre (PGA-POA), a Associação Brasileira de Recursos Hídricos (ABRHidro) e a Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes), não há evidências técnicas que sustentem a tese de que o assoreamento tenha sido o principal fator por trás das enchentes dos últimos anos.

“O que os estudos mostram é que não houve alteração significativa no comportamento hidrológico do Guaíba ou dos rios Jacuí e Taquari capaz de justificar a elevação dos níveis de cheia”, aponta o documento do PGA-POA. O IPH, por sua vez, conclui que é possível “refutar a hipótese de que o assoreamento tenha causado ou agravado as inundações de maio de 2024 nas cidades de Lajeado, Estrela e Cruzeiro do Sul”.

Ainda segundo os especialistas, as ações de dragagem – frequentemente reivindicadas como solução para as enchentes – devem ser aplicadas com cautela e apenas em casos específicos, como canais de navegação ou pequenos cursos d’água urbanos. Em rios de grande porte ou ambientes como o Lago Guaíba, os efeitos práticos seriam limitados, temporários e de alto custo, além de representarem riscos ambientais elevados.

A Abes e a ABRHidro ressaltam, em notas técnicas, que ações como a dragagem precisam estar integradas a um plano mais amplo de gestão de risco, que envolva mapeamento detalhado, modelagem hidrodinâmica, avaliação de impactos ambientais e socioeconômicos, e estratégias de longo prazo voltadas à resiliência climática.

Para os técnicos envolvidos, insistir em soluções isoladas pode desviar o foco do que realmente importa: a construção de uma política estruturada de enfrentamento aos eventos extremos, que una obras de infraestrutura, prevenção, educação, ordenamento urbano e proteção ambiental.

Foto: Reprodução

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