Últimas Notícias

Mais de três anos depois das enchentes, famílias de Muçum começam a receber moradias definitivas, por meio do Governo do RS

 

Entrega de casas traz alívio e perspectiva de recomeço, mas demora na reconstrução habitacional do Estado ainda é questionada por moradores que aguardavam uma solução desde 2023

Depois de mais de três anos convivendo com as consequências das enchentes que destruíram moradias em Muçum, famílias atingidas começaram a receber as chaves de suas novas casas. A entrega ocorreu na quinta-feira, 1º de outubro, durante a visita do governador Eduardo Leite ao município, que também marcou o início da obra do Ginásio Resiliente no Loteamento Renascer.

Ao todo, 74 moradias estão previstas para famílias atingidas pelas enchentes. Até agora, 14 foram entregues. Segundo o governo do Estado, outras 40 devem ser repassadas no próximo mês, com a previsão de conclusão das 74 unidades até o início de dezembro.

Para quem passou anos esperando, a chegada da casa representa mais do que a mudança de endereço. É a possibilidade de voltar a ter um espaço próprio, dormir sem o temor de uma nova enchente atingir a residência e reconstruir a rotina familiar. Depois de um período prolongado de incertezas, as famílias passam a ter, enfim, uma perspectiva concreta de paz e recomeço.

Neste contexto, estas são as primeiras moradias entregues diretamente pelo Governo do Estado. Em 2024, uma iniciativa conduzida pelo Grupo Front, em parceria com a empresa Soprano, da Serra Gaúcha, viabilizou a construção de 13 residências. Já em 2025, o Movimento União BR, organização voltada à atuação em situações de emergência e desastres, foi responsável pela entrega de outras 50 unidades habitacionais.

Alívio chega depois de uma longa espera

A conquista, porém, também expõe o tempo levado pelo processo de reconstrução habitacional. As enchentes de setembro de 2023 deixaram famílias sem suas casas e, mais de três anos depois, parte delas ainda aguardava uma moradia definitiva.

A demora é especialmente difícil de dissociar da dimensão da tragédia enfrentada pelo município. Muçum esteve entre as cidades mais atingidas pelos eventos climáticos que afetaram o Vale do Taquari, e a necessidade de reconstruir moradias tornou-se uma das demandas centrais do período posterior às enchentes.

A cobrança, nesse caso, recai sobre a atuação do governo do Estado na condução da reconstrução habitacional. A entrega das casas representa uma solução efetiva para as famílias contempladas, mas também evidencia que uma resposta definitiva demorou anos para chegar a pessoas que perderam suas residências em uma emergência ocorrida ainda em 2023.

Em maio deste ano, por exemplo, a agenda oficial do governo estadual já registrava uma visita do governador a unidades habitacionais em construção em Muçum.

A situação também não é isolada no Estado. O governo gaúcho mantém programas de reconstrução habitacional destinados a famílias atingidas pelas enchentes, com novas entregas ocorrendo em diferentes municípios ao longo de 2026.

Primeiras famílias recebem as chaves no Loteamento renascer

Durante a cerimônia em Muçum, três famílias receberam simbolicamente as chaves das novas residências. O secretário estadual de Habitação e Regularização Fundiária, Bruno Silveira, informou que a previsão é entregar mais 40 unidades em outubro e concluir todas as 74 até o começo de dezembro.

O prefeito Amarildo Baldasso lembrou o impacto da enchente de 2023 e afirmou que o município já contabiliza 102 casas entregues. Segundo ele, a disponibilidade de novas moradias também contribui para reduzir a quantidade de famílias que precisam deixar suas residências durante novos episódios de elevação do Rio Taquari.

A importância desse fator ficou evidente ainda neste ano. Em julho, durante uma nova elevação do rio, 46 pessoas estavam em abrigos em Muçum, conforme levantamento da Defesa Civil divulgado na época.

Ginásio também terá função em emergências

Além das moradias, Leite anunciou o início da construção do Ginásio Resiliente no Loteamento Renascer. O projeto prevê investimento de R$ 3,7 milhões, área construída de aproximadamente 1.047 metros quadrados em um terreno de 3.844 metros quadrados e prazo de execução de 10 meses.

O espaço terá utilização esportiva e comunitária no cotidiano, mas também será preparado para situações de emergência. De acordo com o subsecretário de Obras Públicas, Anderson Domingos, a estrutura poderá abrigar até 80 pessoas desalojadas, com dois dormitórios coletivos.

Muçum está entre os 15 municípios incluídos na estratégia estadual de implantação de ginásios resilientes, concebidos como estruturas multiuso que possam ser utilizadas como equipamentos públicos e, em situações de emergência, como apoio à população atingida.

Recomeço com cobrança pela reconstrução

A entrega das casas muda a realidade das famílias contempladas. Depois de anos de espera, elas finalmente terão um local definitivo para morar, reconstruir seus vínculos e retomar projetos interrompidos pela enchente.

Mas o momento de celebração também não apaga o percurso até aqui. Para famílias que perderam suas casas em 2023, esperar mais de três anos por uma moradia definitiva significa permanecer por longo período em uma situação que deveria ter sido resolvida com maior rapidez.

Agora, a expectativa é que as demais unidades sejam efetivamente concluídas dentro do cronograma anunciado pelo Estado. Para quem ainda aguarda, a esperança de recomeçar passa a depender da transformação das promessas e cronogramas em novas chaves entregues — desta vez, sem que seja necessário esperar outros anos.

Foto: Luiz Fernando Wagner / Grupo Independente

Nenhum comentário