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Lajeado decide retirar moradores de áreas de risco e mira fim das ocupações abaixo dos 24 metros


Estratégia prevê remoção gradual de famílias e demolição de imóveis, enquanto município busca reduzir a população exposta às cheias do Rio Taquari

A sequência de enchentes que atingiu o Vale do Taquari nos últimos anos levou Lajeado a adotar uma estratégia de redução da ocupação em áreas historicamente atingidas pela elevação do Rio Taquari. O município estabeleceu um cronograma de retirada de moradores conforme as cotas de inundação e pretende, em até três anos, não ter residentes abaixo da cota de 24 metros. O planejamento de longo prazo prevê avançar posteriormente até a cota de 28 metros.

Segundo a prefeita Gláucia Schumacher, as famílias que viviam abaixo da cota de 19 metros já foram retiradas. A desocupação dos imóveis localizados na cota de 20 metros está em fase de conclusão, enquanto o trabalho atualmente se concentra na faixa de 21 metros.

A medida representa uma mudança na forma de lidar com as áreas mais vulneráveis às cheias. Em vez de concentrar a resposta apenas na tentativa de impedir a entrada da água, a proposta é reduzir a quantidade de moradias e pessoas expostas ao risco.

Imóveis desocupados poderão ser demolidos

Um dos desafios é impedir que as áreas desocupadas voltem a ser utilizadas como moradia. A prefeitura realiza fiscalizações semanais e prevê a demolição de algumas estruturas como forma de evitar novas ocupações ou aluguéis irregulares.

Os proprietários podem autorizar o desmanche das construções e permanecer com a posse dos terrenos. Eventuais indenizações seguem os critérios estabelecidos nos respectivos processos.

A retirada das famílias, entretanto, envolve também uma questão social e patrimonial. A desocupação de uma área de risco não representa apenas a remoção de uma construção: envolve pessoas que precisam deixar suas casas e proprietários que passam por processos relacionados aos imóveis.

Número de pessoas em abrigos diminuiu

Um dos reflexos observados nas últimas enchentes foi a redução da quantidade de pessoas encaminhadas ao abrigo municipal do Parque do Imigrante. O número, que chegou a aproximadamente 600 pessoas em eventos anteriores, caiu para cerca de 260.

A redução, porém, ocorre dentro de um contexto em que a recorrência de enchentes continua impondo custos e exigindo operações de emergência. O município estima que cada evento de maior proporção possa representar despesas de R$ 1 milhão a R$ 2 milhões, considerando abrigamento, limpeza, atendimento às famílias e outras ações necessárias durante e depois das cheias.

Áreas de risco e futuro da ocupação

O planejamento também prevê que parte dos espaços liberados seja destinada à absorção de água. A ideia é evitar a reconstrução de moradias em locais sujeitos à inundação e modificar gradualmente a ocupação das áreas mais vulneráveis.

A experiência de Lajeado ocorre em um momento em que municípios do Vale do Taquari discutem como conviver com eventos de cheia que se tornaram mais frequentes e de maior impacto. A retirada de moradores é uma das alternativas adotadas, mas envolve questões de habitação, indenização, fiscalização, reassentamento e definição sobre o uso futuro dos terrenos.

Com a meta de avançar até a cota de 24 metros nos próximos três anos e, posteriormente, até 28 metros, o processo deverá exigir continuidade ao longo de diferentes administrações municipais. A efetividade da estratégia dependerá não apenas da retirada das famílias, mas também da manutenção das áreas desocupadas e da capacidade de impedir novas ocupações em locais considerados vulneráveis.

Foto: Divulgação

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