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Muçum fecha 65 vagas de emprego em julho e acumula saldo negativo de 175 postos em 2026

 

Município teve 74 admissões e 139 desligamentos no mês; Números mostram que a cidade tem o pior desempenho do Vale do Taquari

Muçum registrou, em julho, o pior desempenho entre os municípios do Vale do Taquari na geração de empregos formais. Foram 74 trabalhadores admitidos e 139 desligados, resultando no fechamento de 65 postos de trabalho no mês. Os números integram os dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados nesta segunda-feira, 31, pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

O resultado amplia uma sequência de retração no mercado formal do município. Em junho, Muçum já havia encerrado 84 vagas, enquanto maio terminou com saldo negativo de 29 postos. Com isso, o desempenho acumulado em 2026 permanece no vermelho.

Entre janeiro e julho, o município contabilizou 490 admissões e 665 desligamentos, uma diferença de 175 postos de trabalho a menos. Na prática, o número de vínculos encerrados supera de forma significativa as novas contratações realizadas no período.

Serviços concentra perdas

O setor de Serviços foi o principal responsável pelo resultado negativo de julho. Foram 70 postos fechados na atividade, número superior ao saldo geral do município.

Também houve redução na Agropecuária, com quatro vagas a menos, e na Construção, que encerrou um posto.

Os demais setores apresentaram pequenos resultados positivos. A Indústria abriu sete vagas, enquanto o Comércio registrou saldo de três novos postos. O desempenho desses segmentos, contudo, não foi suficiente para compensar as perdas verificadas principalmente nos serviços.

Os números não devem ser confundidos com indicadores de recebimento ou não de benefícios sociais. O Caged mede exclusivamente a movimentação do emprego formal, considerando admissões e desligamentos registrados pelos empregadores.

Um cenário que exige atenção

O desempenho de Muçum chama atenção porque ocorre em um momento em que o mercado de trabalho formal do Vale do Taquari ainda apresenta saldo positivo no acumulado do ano. A diferença entre os resultados municipais evidencia que a recuperação econômica não ocorre de maneira uniforme na região.

Mais do que observar apenas a quantidade de vagas encerradas em determinado mês, os números de Muçum colocam em evidência a necessidade de discutir incentivos à atividade econômica, políticas públicas de desenvolvimento e mecanismos capazes de estimular a manutenção e a criação de empregos no município.

O resultado também ocorre em um município que ainda enfrenta desafios de reconstrução e reorganização econômica após os eventos climáticos que atingiram o Vale do Taquari. No entanto, o dado do Caged, isoladamente, não permite atribuir o fechamento das vagas às enchentes ocorridas nos últimos anos. A evolução negativa registrada ao longo de 2026 precisa ser analisada em conjunto com fatores econômicos, empresariais e das próprias políticas de desenvolvimento local.

Vale do Taquari fecha julho no negativo, mas mantém saldo positivo no ano

O mercado formal dos 38 municípios do Vale do Taquari apresentou, pela primeira vez em 2026, resultado mensal negativo. Em julho, foram 72 postos de trabalho fechados. Apesar disso, o acumulado de janeiro a julho ainda é positivo, com 2.356 novas vagas.

Segundo o secretário estadual do Trabalho e Desenvolvimento Profissional, José Scorsatto, a retração observada em julho está dentro de um comportamento que costuma ocorrer nesta época do ano. Ele avalia que agosto tende a apresentar maior estabilidade e projeta recuperação das contratações a partir de setembro.

Teutônia lidera geração de empregos

Na outra ponta do ranking regional, Teutônia abriu 55 postos em julho, seguida por Estrela, com 49, e Arroio do Meio, com 28. Progresso teve saldo positivo de 17 vagas e Santa Clara do Sul, de dez.

Ao todo, 16 municípios do Vale terminaram julho com mais admissões do que desligamentos.

Além de Muçum, entre os resultados negativos aparecem Lajeado (-53), Taquari (-36), Westfália (-36) e Fazenda Vilanova (-17). No total, 20 municípios fecharam o mês com saldo negativo e duas cidades registraram equilíbrio entre contratações e desligamentos.

Comércio pesa no resultado regional

O Comércio foi o setor que mais perdeu empregos formais no Vale em julho, com saldo negativo de 67 postos. A Agropecuária fechou 21 vagas e a Construção, 13.

Na direção oposta, a Indústria abriu 25 postos, enquanto os Serviços tiveram saldo positivo de quatro vagas.

Brasil também registra desaceleração

Em julho, o mercado formal brasileiro criou 58.568 postos de trabalho, conforme o Caged. O resultado representa uma redução de 57,3% em relação a junho, quando foram abertas 137.044 vagas.

Na comparação com julho de 2025, quando o país havia registrado 133.932 novos empregos formais, a retração chega a 56,3%. O resultado de julho é o menor para o mês desde 2020 dentro da série comparável, já que a metodologia do Caged impede a comparação direta com períodos anteriores.

Entre janeiro e julho, o país acumula 972,23 mil novas vagas formais.

O cenário nacional também é associado à desaceleração da economia e aos efeitos dos juros elevados sobre a atividade produtiva.

Foto: Reprodução

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